Com 180 obras e o icônico Templo de Oxalá, o MAM Rio abre em 18 de abril a maior mostra já dedicada ao mestre da geometria afro-brasileira.
Uma obra construída entre signos e símbolos
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) inaugura, em 18 de abril de 2026, a exposição Rubem Valentim: a ordem do sensível. A mostra é dedicada a um dos artistas mais decisivos da arte brasileira do século 20 e reúne cerca de 180 obras provenientes de coleções públicas e privadas de diferentes regiões do país.
Desenvolvida em colaboração com o Museu de Arte Moderna da Bahia, a exposição ocupa o Salão Monumental com pinturas, relevos e esculturas. A curadoria é de Raquel Barreto e Phelipe Rezende, e o projeto conta com o patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Em cada uma dessas frentes, Valentim constrói uma linguagem singular ao articular geometria, cor e sistemas simbólicos oriundos de matrizes culturais brasileiras, sobretudo afro-brasileiras e indígenas. Forma e significado tornam-se indissociáveis em sua obra — uma produção que nasce de um contexto específico e se projeta como experiência estética de alcance universal.
Cinco núcleos, uma trajetória
A exposição está organizada em núcleos que correspondem às cidades que marcaram a vida e o trabalho do artista. O percurso começa em Salvador, onde Valentim desenvolve suas primeiras experiências a partir do cotidiano, dos objetos rituais das religiões de matriz africana e da arte moderna europeia.
No Rio de Janeiro, para onde se muda em 1957, sua pesquisa ganha rigor construtivo e densidade simbólica. Em Roma, aprofunda a articulação vertical dos elementos, apontando para uma dimensão totêmica. De volta ao Brasil, em Brasília, expande sua prática para o campo tridimensional e formula o Alfabeto Kitônico, sistema que sintetiza sua investigação sobre linguagem, cultura e construção. Nos anos finais, entre Brasília e São Paulo, consolida uma obra de grande potência sintética.
“Valentim constrói sua obra como um sistema em permanente elaboração. Há um trabalho de depuração, em que os elementos são reduzidos, reorganizados e estabilizados até atingirem uma estrutura precisa. Esse processo não é apenas formal, envolve ritmo e sentido, e se desenvolve ao longo do tempo por meio de retornos, variações e sínteses sucessivas.” — Raquel Barreto, curadora-chefe do MAM Rio
O Templo de Oxalá como ponto culminante
A exposição culmina com a apresentação do Templo de Oxalá, instalação criada em 1977 e exibida originalmente na 14ª Bienal de São Paulo. Composto por estruturas totêmicas dispostas no espaço, o trabalho traduz, em escala ambiental, a linguagem desenvolvida por Valentim ao longo de sua trajetória. A experiência imersiva criada pela obra condensa os principais eixos de sua pesquisa plástica e simbólica.
Quem foi Rubem Valentim
Rubem Valentim nasceu em Salvador, em 1922, no centro histórico da cidade. Desde cedo, desenvolveu uma percepção aguçada das formas e dos sistemas visuais presentes no cotidiano baiano — as festas populares, os objetos rituais do candomblé, a cerâmica do Recôncavo e a arquitetura religiosa. Formou-se em Odontologia (1946) e em Jornalismo (1953) pela Universidade da Bahia, mas foi nas artes plásticas que encontrou seu campo definitivo de atuação.
Sua trajetória artística inicia-se no fim dos anos 1940, em diálogo com o ambiente renovador da revista Caderno da Bahia. A partir de meados dos anos 1950, passou a elaborar um vocabulário próprio fundado na geometrização de signos ligados ao candomblé, como o oxé de Xangô, o abebê de Oxum e o paxorô de Oxalá. Esse processo resultou em uma linguagem rigorosa e autoral, que ele definiria em seu Manifesto ainda que tardio, de 1976, como “riscadura brasileira”.
Em 1966, integrou a delegação brasileira no I Festival Mundial das Artes Negras, em Dacar, no Senegal. Valentim faleceu em São Paulo, em 1991, deixando uma obra incontornável para a compreensão da arte brasileira moderna e contemporânea.
MAM Rio e o vínculo histórico com Valentim
A relação entre o MAM Rio e Rubem Valentim remonta às décadas de 1960 e 1970. Em 1970, a instituição realizou uma individual com o título 31 objetos emblemáticos e relevos-emblemas. A nova exposição retoma esse vínculo histórico e propõe uma leitura abrangente de sua produção, reafirmando sua relevância no presente.
Serviço
- Exposição: Rubem Valentim: a ordem do sensível
- Curadoria: Raquel Barreto, com curadoria assistente de Phelipe Rezende
- Abertura: 18 de abril de 2026
- Encerramento: 2 de agosto de 2026
- Horários: Quartas, quintas, sextas, sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h. Aos domingos, das 10h às 11h, visitação exclusiva para pessoas com deficiência intelectual
- Ingressos: Entrada gratuita para todos os públicos — https://www.mam.rio/ingressos
- Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro — Av. Infante Dom Henrique, 85, Aterro do Flamengo, Rio de Janeiro/RJ
- Telefone: (21) 3883-5600
- Website: https://www.mam.rio/
- Instagram: @mam.rio

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