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MASP reúne 148 artistas para confrontar mitos da América Latina

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A invenção da América Latina, suas fraturas coloniais e as formas de resistência comunitária ganham uma leitura panorâmica em cinco andares que confrontam as narrativas oficiais do continente.

A coletiva internacional Histórias latino-americanas ocupa cinco galerias expositivas do Edifício Pietro Maria Bardi com 187 trabalhos criados por 148 artistas de 20 países. Com curadoria de Amanda Carneiro e Julieta González, a mostra propõe uma investigação crítica sobre como projetos de nação, movimentos de resistência, fluxos migratórios e a violência da colonização forjaram a ideia da região do período pré-colonial à contemporaneidade.

A região é uma zona de conflito e criação. A exposição não pretende encerrar a discussão, nem oferecer uma narrativa total sobre o continente. Ao contrário, seu gesto é abrir a percepção sobre regimes visuais, temporalidades e questões.

MASP reúne 148 artistas para confrontar mitos da América Latina
Foto: Museo de Arte Moderno de Bogotá, cortesia Casas Riegner

Cinco eixos para desmontar narrativas oficiais

O percurso está estruturado em cinco núcleos conceituais: O mundo ao revés, Retórica do progresso, Sociedades americanas, Estamos em salsa e A queda do céu. Em O mundo ao revés, o ponto de partida é o conceito andino pachakuti, que define uma inversão drástica da ordem cósmica provocada pela chegada europeia, desconstruindo o mito do território intocado pronto para a exploração extrativista.

No segmento Retórica do progresso, as promessas da modernização urbana e industrial são postas em xeque como mecanismos de controle e exclusão social. Nesse espaço, a expografia enquadra a paisagem urbana real por meio de uma das janelas do museu, conectando a mostra ao centro financeiro paulista.

O chão da galeria recebe a instalação comissionada Nuremberg Map of Tenochtitlan, da mexicana Mariana Castillo Deball, que reproduz a cartografia colonial usada para subjugar o Império Asteca. Trabalhos inéditos e comissionados de nomes como JAMAC (Jardim Miriam Arte Clube), Marcela Cantuária, Marcelo Cidade, Manuel Chavajay, Maurício Lupini e Podeserdesligado também integram a montagem.

Salsa, soberania e o colapso da terra

Em Sociedades americanas, o foco recai sobre redes comunitárias autônomas, articulando experiências de quilombos, cooperativas e modelos camponeses de subsistência. A relação de dependência econômica global surge tensionada em Estamos em salsa, núcleo batizado a partir do tema composto em 1978 por Wayne Gorbea. Ali, obras emblemáticas como Inserções em circuitos ideológicos: Projeto Coca-Cola (1970), de Cildo Meireles, e Colombia (1980), de Antonio Caro, transformam símbolos do consumo de massas em plataformas de denúncia política.

O encerramento se dá com A queda do céu, inspirado na obra de Davi Kopenawa e Bruce Albert, tratando o avanço predatório do garimpo e da devastação da Amazônia como a destruição das próprias bases de sustentação da vida. O espaço expositivo foi projetado a partir dos cortes diagonais e painéis da série Metaesquemas (1956‒1958), de Hélio Oiticica, permitindo que os visitantes circulem entre os núcleos sem imposição de ordem cronológica linear.

Marcada para o período de 4 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027 no MASP, a exposição ancora o ciclo temático anual da instituição e integra uma linhagem iniciada por projetos anteriores dedicados a narrativas plurais e polifônicas.

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