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Memória operária do Jacarezinho vira espetáculo no Sesc Tijuca

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Marcas da industrialização, fluxos migratórios e a força comunitária do Jacarezinho estruturam o espetáculo “Querer ficar, mas ter que partir”, montagem que investiga as raízes e transformações da Zona Norte carioca.

As engrenagens fabris que atraíram levas de trabalhadores de diferentes regiões do país na década de 1960 formaram a base social de um dos bairros mais emblemáticos da cidade. Em “Querer ficar, mas ter que partir”, a idealizadora Natália Brambila parte da própria história familiar para transformar os movimentos de chegada, permanência e ruptura em dramaturgia no Sesc Tijuca.

A favela não aparece apenas como cenário ou lugar de carência, mas como cosmos: um território vivo, complexo, criador de mundos, relações, tecnologias de sobrevivência e modos próprios de existir.

O ponto de partida íntimo ganha dimensão coletiva ao revisitar a jornada de Elida, mãe da idealizadora, que saiu de Minas Gerais aos 14 anos rumo à capital fluminense. Ao ingressar no Complexo Industrial do Jacaré, os laços estabelecidos ultrapassaram os muros fabris e integraram a rede comunitária que se consolidava ao redor das indústrias.

Memória operária do Jacarezinho vira espetáculo no Sesc Tijuca
Foto: Léo Lima

O declínio fabril e a afirmação cultural

A pesquisa cênica acompanha a virada histórica trazida pelo esvaziamento econômico e pelo fechamento das fábricas, fatores que remodelaram o cotidiano do território. Em resposta ao desemprego e à precarização, a criação cultural despontou como ferramenta central de coesão, memória e subsistência coletiva.

O enredo evidencia ícones da identidade local, desde a fundação da Unidos do Jacarezinho em 1966, por Dona Andressa Moreira da Silva, até nomes que projetaram o território nacionalmente, como Lacraia, MC Nem do Jacarezinho e MC Serginho, que realiza participação especial na montagem.

Elenco premiado e circulação comunitária

Com direção de Rei Black e dramaturgia assinada por Pedro Emanuel, a produção é encenada pela Cia Cria do Beco. O quarteto em cena reúne artistas com passagens destacadas nos prêmios Shell e APTR: Jeff Melo, Anderson Oli, Taty Aleixo e a própria idealizadora, reunindo jovens criadores negros e universitários formados na vivência das periferias.

A temporada no circuito formal da Zona Norte abre caminho para uma etapa de apresentações diretas nas bases comunitárias. Após a temporada no teatro, o projeto fará apresentações gratuitas e descentralizadas para dialogar com o público que originou sua pesquisa histórica.

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