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Memórias rurais viram arte na estreia de Giovana Tartas

Pinturas e cerâmicas inéditas de Giovana Tartas questionam a romantização do campo. Exposição abre dia 7 de maio, grátis, na Badesc em Florianópolis.

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A paisagem da infância raramente chega à galeria sem filtro. Para a artista chapecoense Giovana Tartas, ela chega com terra, tensão e memória crítica. Na quinta-feira, 7 de maio, às 19h, a Fundação Cultural Badesc recebe a abertura de “Antes de Voltar a Terra” — a primeira exposição individual de Giovana, selecionada pela Chamada Pública Paulo Gaiad 2026.

A mostra reúne 13 obras entre pinturas e cerâmicas inéditas. O ponto de partida é o cotidiano rural da família da artista, no interior do Norte do Rio Grande do Sul, mas o destino é mais amplo: uma investigação sobre território, trabalho e as forças — históricas, econômicas e afetivas — que moldam o campo brasileiro.

Memória como gesto crítico

Giovana não oferece ao espectador um campo idílico. O rural que aparece em suas pinturas e peças cerâmicas carrega camadas de deslocamento e transformação, tensionando a tendência de se romantizar narrativas ligadas à terra.

Ao revisitar memórias familiares ligadas ao cotidiano rural, busco tensionar a forma como essas narrativas são frequentemente romantizadas, trazendo à tona camadas de trabalho, deslocamento e transformação da paisagem.

Giovana Tartas, artista

Pensada em colaboração com o curador Guilherme Brollo, a exposição foi construída como um espaço de tensão — entre o que se lembra e o que se apaga, entre o afeto pessoal e a responsabilidade coletiva. Para a artista, a memória não é apenas lembrança: é “um gesto crítico, capaz de implicar responsabilidade e reflexão sobre as formas de habitar a terra e o território”.

Cerâmica e pintura como linguagens do impermanente

Formada em Artes Visuais pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Giovana Tartas desenvolve sua pesquisa no cruzamento entre a cerâmica e a pintura — dois suportes que, por natureza, lidam com transformação da matéria. Temas como transitoriedade, carne e memória percorrem sua trajetória, e encontram na mostra uma síntese madura.

A curadoria de Guilherme Brollo — artista e curador curitibano, também formado pela UFPR e editor-chefe do Jornal Sem Gosto — reforça esse olhar apurado sobre materialidade e narrativa. Brollo já assinou exposições como “Geraldo Leão: a cor das coisas” e “a.finidade”, na Galeria DeArtes da UFPR.

Estreia no Espaço Paulo Gaiad

“Antes de Voltar a Terra” ocupa o Espaço Paulo Gaiad, na Fundação Cultural Badesc, e pode ser visitada gratuitamente até 25 de junho. A abertura, no dia 7 de maio, é gratuita e aberta ao público a partir das 19h.


Serviço

Memórias rurais viram arte na estreia de Giovana Tartas
Foto: Divulgação
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