A adaptação teatral do primeiro romance de Elisama Santos desmistifica a perfeição nas relações de parentesco ao colocar três mulheres diante de memórias divergentes durante uma ceia natalina.
O silêncio mantido por décadas entre mãe e filhas é rompido no centro de uma noite festiva que logo se transforma em acerto de contas emocional. No espetáculo que transpõe a obra literária de Elisama Santos para os palcos, o público acompanha Maria Lúcia e suas filhas, Marília e Rita, desconstruindo versões do próprio passado comum na família Soares.
A ideia sempre foi fazer com que essas mulheres não fossem julgadas a partir de uma lógica de bem e mal. São seres humanos. E cada pessoa carrega em si a sua bondade e a sua maldade.
Com encenação assinada por Renata Tavares, primeira diretora negra a vencer simultaneamente os prêmios Shell e APTR, o texto assinado pelo dramaturgo Rafael Souza-Ribeiro recusa a narrativa linear. Em vez de simplesmente encenar o livro capítulo a capítulo, a dramaturgia concentra as personagens em uma unidade temporal em que a memória invade o presente, expondo conflitos sem apontar quem detém a verdade absoluta.

Humanidade e nuances sem idealizações
A montagem foge de representações estigmatizadas ou calcadas exclusivamente na dor ao retratar uma família negra. A encenação aposta em contradições cotidianas, no riso que divide espaço com o trauma e no reconhecimento de que vínculos afetivos demandam cultivo e escuta real, indo além de obrigações morais pré-estabelecidas.
O elenco reúne atrizes premiadas das artes cênicas: Sirléa Aleixo dá vida à mãe Maria Lúcia, enquanto Graciana Valladares e Mila Moura interpretam as filhas Marília e Rita. A direção musical é conduzida por Ifátókí Maíra Freitas, trazendo ritmo e musicalidade aos diálogos entrecortados pelas lembranças.

Dos livros para a criação cênica
A chegada do livro aos palcos partiu da iniciativa de Fernanda Pascoal, Bárbara Galvão e Carolina Bellardi, sócias da Pagu Produções Culturais. Após a leitura do romance em 2024 e a identificação com as discussões sobre criação parental e convivência, o grupo articulou a montagem diretamente com a escritora.
A temporada no Teatro de Arena do Sesc Copacabana conta com apoio do edital Cultura Sesc RJ Pulsar e realiza apresentações de 17 de setembro a 18 de outubro de 2026, com pausa na programação entre os dias 1º e 4 de outubro.

Serviço
- Temporada: 17 de setembro a 18 de outubro de 2026 (não haverá apresentações de 1º a 4 de outubro)
- Dias e horários: quinta e sexta, às 20h; sábado e domingo, às 18h
- Local: Teatro de Arena do Sesc Copacabana
- Endereço: Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, Rio de Janeiro – RJ
- Duração: 75 minutos
- Classificação: 12 anos
- Ingressos: R$ 40 (inteira); R$ 36 (conveniados); R$ 31 (conveniados empresário); R$ 28 (credencial plena Sesc); R$ 20 (meia-entrada); gratuito (público PCG)
- Capacidade: 260 lugares
- Gênero: drama
- Acessibilidade: Libras em 26/9 e 10/10 (sábados); Audiodescrição em 27/9 (domingo)
