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Mirela Cabral leva a pintura para além da parede

Mirela Cabral leva a pintura para além da parede

Na SP-Arte 2026, Mirela Cabral lança bolsas com pinturas originais e transforma a obra em experiência de uso, circulação e escolha.

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A artista visual baiana, de 34 anos, participa da feira com um projeto inédito que marca um novo momento em sua trajetória. Representada pela galeria Paulo Darzé e com presença também na Piero Atchugarry, ela apresenta uma investigação que tensiona pintura, objeto e circulação da obra dentro do circuito tradicional da arte.

O ponto de partida da série nasce do atrito entre o tempo da pintura e a urgência contemporânea. As obras são feitas com tinta a óleo sobre linho, uma técnica que pode levar anos para secagem completa. A partir dessa condição material, Mirela propõe um gesto que responde ao desejo imediato de ter a obra sem esperar esse tempo.

Pintura e objeto na SP-Arte 2026

O projeto central apresentado por Mirela Cabral na SP-Arte 2026 é uma edição limitada de pinturas originais em pequeno formato incorporadas a uma bolsa. Nesse lançamento, cada peça carrega uma obra única, o que desloca a discussão sobre suporte e também questiona o próprio conceito de reprodução.

Mais do que suporte, a bolsa se torna dispositivo. A obra pode ser transportada, usada ou instalada. Assim, ao adquirir a peça, o público decide se mantém a pintura incorporada ao objeto, se utiliza a bolsa no cotidiano ou se desloca a obra para a parede.

Com isso, a artista propõe uma inversão simbólica. A obra deixa de ser apenas contemplativa e passa a circular no mundo. Ao mesmo tempo, o trabalho indaga a lógica de consumo, a rigidez dos formatos expositivos e a distância entre arte e vida.

Um novo capítulo na trajetória

Mirela iniciou sua carreira na pintura figurativa e, mais tarde, migrou para a abstração. Agora, retorna à imagem por uma via expandida, incorporando diferentes mídias e camadas conceituais. O resultado é uma produção que transita entre linguagens e questiona limites, em uma prática que a própria artista define como “multimídia”.

Esse movimento abre um novo capítulo em sua trajetória. Aqui, a pintura ultrapassa a superfície e passa a habitar o corpo, o espaço e o cotidiano. A proposta sustenta uma reflexão sensível sobre tempo, desejo e circulação no sistema da arte contemporânea.

Processo experimental e participação do público

O desenvolvimento da peça passou por um processo experimental com sucessivas transformações. O objeto mudou de caixa para maleta até chegar ao formato final de bolsa. A solução surgiu da investigação sobre funcionalidade e estrutura, consolidando o objeto como extensão da pintura.

Para isso, Jubba Sam, criador da Dod Alfaiataria, entrou como parceiro no desenvolvimento da alça da bolsa. Como desdobramento conceitual, Mirela também vai disponibilizar em seu Instagram um PDF com instruções para a construção da bolsa, em referência ao designer italiano Enzo Mari e à sua proposta de democratização do design por meio de projetos abertos.

A participação ativa do público é um eixo central do trabalho. Ao permitir que o colecionador leve a obra consigo imediatamente após a aquisição e escolha sua forma de uso, a artista desloca o espectador para dentro do processo artístico. Dessa forma, aproxima-se de tradições que convidam à experiência e à interação.

Na SP-Arte 2026, as obras serão apresentadas tanto na parede quanto incorporadas às bolsas. Essa montagem reforça a dualidade entre pintura e objeto e amplia o diálogo com uma linhagem da produção brasileira que pensa a obra como experiência e atravessamento.


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