Um homem decide se matar na mesma noite em que ignora o choro de uma criança na rua — e é essa culpa que o empurra para um sonho capaz de mudar o sentido de sua existência.
É esse o ponto de partida de “O Sonho de Um Homem Ridículo”, monólogo estrelado por Murici Lima e dirigido por Anderson Rosa, que estreou no dia 31 de julho e segue em cartaz na Sede Cia dos Atores, na Lapa, até 23 de agosto.
A peça adapta a novela homônima de Fiódor Dostoiévski, publicada em 1877 e considerada uma obra-prima existencial. O texto original narra a jornada de um homem niilista prestes a cometer suicídio, salvo pela epifania de um sonho — e a montagem carioca usa essa estrutura para discutir invisibilidade social, solidão urbana e a urgência de empatia no cotidiano das grandes cidades.
A catarse de um homem só em cena
Como a obra narra o mergulho do protagonista em sua própria solidão — e encontra, na travessia desse caos, sua redenção — o diretor Anderson Rosa optou por uma montagem intimista, que mantém o público próximo à força e ao impacto dessa catarse.
Consumido pela indiferença e pela crença de que nada faz sentido, um homem decide tirar a própria vida.
Na trama, é justamente ao ignorar o apelo de uma criança que o protagonista é perturbado pela culpa — o que o faz adormecer e ter um sonho fantástico, capaz de provocar uma profunda mudança no sentido de sua existência. A direção de produção do espetáculo é assinada por Christiano Nascimento, da Art Hunter.
O russo que virou espelho da alma humana
Fiódor Dostoiévski (1821-1881) é um dos maiores nomes da literatura russa e mundial. Nasceu em Moscou e formou-se engenheiro militar, mas logo dedicou-se à literatura. Em 1849, foi preso por participar de um grupo intelectual liberal e condenado à morte — pena depois comutada para trabalhos forçados na Sibéria. Essa experiência traumática marcou profundamente sua visão de mundo e atravessa seus romances, que exploram a psicologia humana, a moralidade, a fé e o livre-arbítrio.
Do bisturi ao palco: quem é o ator por trás do texto
Murici Lima é formado em Artes Cênicas pela Escola de Teatro Martins Pena, no Rio de Janeiro, além de ter formação em música e circo. Recentemente, atuou nas séries “Impuros” e “Todo Dia a Mesma Noite”. Entre seus últimos trabalhos no teatro estão os musicais “O Beijo no Asfalto”, com direção de Menelick de Carvalho, “O Cravo e a Rosa”, dirigido por Rafaela Amado, e “Vem Buscar-me Que Ainda Sou Teu”, com direção de João Fonseca.
Além do ofício de ator, Murici também é médico cirurgião plástico e atua no serviço público — uma dupla trajetória que soma bisturi e dramaturgia no currículo.
Serviço
- O que? O Sonho de Um Homem Ridículo
- Onde? Sede Cia dos Atores — Rua Manuel Carneiro, 12, Escadaria Selarón, Lapa
- Quando? Até 23 de agosto — sexta e sábado às 20h; domingo às 19h
- Quanto? Inteira R$ 60,00 — Meia R$ 30,00
- Classificação: 14 anos
- Duração: 60 minutos



