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Monólogo com Mey Füchter entra na última semana em SP

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A temporada de “Adorável Desgraçada” entra na reta final: a peça de Leilah Assumpção encerra suas apresentações no dia 15 de agosto, no Teatro Commune, em São Paulo.

O monólogo é estrelado por Mey Füchter, sob direção de Ricardo Eche — ambos radicados em Munique, na Alemanha, onde o espetáculo nasceu antes de seguir em turnê pela Europa. Depois de percorrer o continente europeu, a montagem chegou ao Brasil e agora se despede do público paulistano.

O passado bate à porta

Em cena está Guta, mulher que viveu presa a valores rígidos e manteve seus sentimentos mais profundos guardados e vigiados por anos. Tudo muda quando Maribel, amiga de infância, reaparece em sua vida e reacende lembranças que ela preferia deixar adormecidas.

A relação entre as duas mulheres é o motor da narrativa: amizade e rivalidade, competição e generosidade, amor e solidão se misturam numa única noite marcada por embates internos. O texto, escrito por Leilah Assumpção, é ambientado em 16 de novembro de 1993, e o cenário reproduz fielmente o período — poltrona, TV, mesa com árvore de Natal e presentes, crucifixo, tapetes e acessórios de época.

A montagem vai do riso à emotividade e causa impacto em seu surpreendente desfecho

Uma mulher, suas contradições

Isolada em seu apartamento e presa às próprias crenças conflitantes, Guta busca justificar as escolhas que não fez ao longo da vida. A peça explora a distância entre o que foi vivido e o que poderia ter sido, expondo o sofrimento de uma personagem que só consegue encarar o próprio passado quando confrontada pela presença — ainda que evocada — de Maribel. Coragem e medo, confiança e dúvida, liberdade e prisão se revezam em uma interpretação intensa, conduzida inteiramente por Füchter.

Quem está por trás do espetáculo

Leilah Assumpção nasceu em Botucatu e é dramaturga e pedagoga, formada em 1964 pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Além de “Adorável Desgraçada”, assina textos como “Fala Baixo Senão Eu Grito”, “Jorginho – O Machão”, “Amanhã, Amélia, de Manhã”, “Roda Cor de Roda”, “Vejo um Vulto na Janela, Me Acudam que Eu Sou Donzela” e “Lua Nua e Intimidade Indecente” (2001). Para a televisão, escreveu “Venha Ver o Sol na Estrada” (1974), “Um Sonho a Mais” (1984) e a minissérie “Avenida Paulista” (1985).

Mey Füchter nasceu em Santa Catarina e começou no teatro ainda criança. Formada em Administração e Comércio Exterior, mudou-se para a Alemanha, onde se formou em Artes Cênicas e iniciou a carreira profissional como atriz. Atuou em peças em alemão como “Poderosa Afrodite”, de Woody Allen, “8 Mulheres”, de Robert Thomas, e “Dämon” (versão de “Baal”), de Bertold Brecht, além de participar de séries como “Tatort”, “XY…gelöst” e “Der Blaulicht Report”. Também escreveu o livro “As Aventuras de Fredinho”, ainda inédito.

Ricardo Eche nasceu em São Paulo e se formou arquiteto pela Faculdade de Belas Artes, tendo estudado teatro com a atriz Miriam Mehler. Mudou-se para a Espanha em 1988 e, dois anos depois, para Munique, onde atuou em peças no Münchner Kammerspiele, no Belle Etage e no Interim. Em 1997 fundou o Teatro Brasileiro de Munique, montando autores como Nelson Rodrigues, Miguel Falabella, Juca de Oliveira, Plínio Marcos, Newton Moreno e a própria Leilah Assumpção.


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