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Monólogo “Eu matei Sherazade” volta ao Rio e provoca debate

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Uma personagem clássica é desmontada para revelar as contradições do feminino entre Oriente e Ocidente, em um monólogo que transforma crítica literária em experiência cênica.

O palco do Teatro TotalEnergies, na Glória, recebe novamente “Eu matei Sherazade, confissões de uma árabe em fúria”, protagonizado por Carolina Chalita. A montagem, indicada ao Prêmio APTR, faz nova temporada entre os dias 24, 25 e 26 de julho, antes de seguir em turnê pelo estado do Rio de Janeiro. Inspirado no livro da escritora libanesa Joumana Haddad, o espetáculo investiga como diferentes culturas moldam a percepção sobre o papel da mulher.

“Investigamos as fronteiras entre os olhares árabe e ocidental sobre as mulheres e as contradições dessa narrativa.”

No monólogo, Chalita — que também assina a dramaturgia — conduz o público por uma narrativa íntima e crítica. Em cena, uma mulher árabe expõe sua revolta diante das formas como é percebida tanto em seu contexto cultural quanto pelo olhar ocidental. A direção é de Miwa Yanagizawa, com direção musical de Beto Lemos e música ao vivo executada por Maria Clara Valle.

Uma releitura que rompe com o mito

A peça parte de uma provocação central: Sherazade, personagem consagrada de “As mil e uma noites”, é realmente símbolo de libertação feminina? Para Joumana Haddad, não. A autora propõe que a figura perpetua estruturas patriarcais ao suavizar a violência de um sultão que assassinava mulheres.

Essa revisão crítica é levada ao palco como um confronto direto com narrativas consolidadas. O espetáculo tensiona a ideia de que inteligência e imaginação, atributos de Sherazade, seriam suficientes para caracterizá-la como símbolo de emancipação.

Ao revisitar essa história, a montagem propõe outro caminho: o protagonismo feminino como ruptura real, e não adaptação dentro de estruturas opressivas.

Da leitura ao palco

O interesse de Carolina Chalita pela obra surgiu após assistir, em 2013, a uma leitura dramatizada conduzida por Clarisse Niskier. A partir desse encontro, iniciou-se um processo que resultou na primeira adaptação teatral do livro.

Com mais de duas décadas de carreira, Chalita traz para o projeto uma trajetória que atravessa teatro, televisão e cinema. Entre seus trabalhos estão produções como “Impuros”, “Os Suburbanos” e “A Grande Família”, além do filme “Água na Boca”, com estreia prevista para 2025.

Circulação pelo estado

Após a temporada no Rio, o espetáculo segue em circulação por unidades do SESC RJ e pelo Centro Cultural do Poder Judiciário (CCPJ), ampliando o alcance da discussão proposta pela obra.

A itinerância inclui cidades como Teresópolis, Petrópolis, São João de Meriti, Nova Friburgo e Campos, com apresentações previstas até outubro.


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