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Mostra de Cinemas Africanos leva ficção de gênero ao CCBB Rio

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Feiticeiras, robôs, fantasmas e comédias fantásticas. A Mostra de Cinemas Africanos chega ao Rio de Janeiro com um recorte que rompe a imagem tradicional do cinema do continente.

De 10 a 16 de setembro, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) recebe a nona edição da mostra. É a única plataforma continuada no Brasil dedicada ao audiovisual contemporâneo africano. As sessões são gratuitas, no Cinema I.

Neste ano, o eixo é o cinema de gênero. Ficção científica, comédia, musical, romance, aventura, horror e thriller psicológico dividem a tela. A curadoria é de Ana Camila Esteves, pesquisadora e produtora responsável pela mostra desde sua criação.

Uma cineasta, quatro mulheres e uma vila que expulsa

O grande nome da edição carioca é a cineasta burkinabé Chloé Aïcha Boro. Ela acompanha a exibição de seu primeiro longa de ficção, As Desvirtuosas, no dia 12 de setembro, às 18h, seguida de conversa com o público.

Boro é conhecida internacionalmente pelo documentário. Em As Desvirtuosas, ela parte de uma história da própria família. O resultado é uma ficção sobre quatro mulheres expulsas de sua aldeia que formam uma comunidade às margens da sociedade.

Com humor, música e elementos de diferentes gêneros cinematográficos, o filme marca uma mudança de linguagem na trajetória da diretora sem abandonar questões presentes em sua obra documental.

A carreira de Boro se desenvolveu entre literatura, jornalismo e cinema. Seus documentários circularam por festivais internacionais. Tratam da história política e social de Burkina Faso.

Personagens deslocados. Margens das narrativas oficiais. Esses são os fios que atravessam sua obra. Em As Desvirtuosas, ela incorpora referências familiares e culturais a uma construção que mistura drama, humor e fabulação.

Pescadores, fantasmas e crocodilos no continente

O recorte de 2026 parte de um movimento real: cada vez mais filmes africanos recorrem às convenções do cinema de gênero para contar suas histórias. A programação reúne produções que dialogam com ficção científica, sobrenatural, comédia e suspense.

Entre os títulos está O Pescador, comédia fantástica ganesa sobre um pescador tradicional diante das transformações de sua comunidade. Também estão na lista O Despertar de Anam, produção queniana que usa elementos sobrenaturais para tratar do luto, e Crocodilo, thriller sobre tensões familiares.

A programação também inclui Memória da Princesa Mumbi, filme que abre a mostra no dia 10 de setembro, às 18h. Completam a seleção Timpi Tampa, Por Detrás das Palmeiras, Guardião dos Mundos, Roupa Suja, Prova, Diya, A Última Dança da Vergonha e Mobembo.

Nove anos ampliando a circulação de filmes africanos no Brasil

A Mostra de Cinemas Africanos foi criada em 2018 pela produtora e pesquisadora baiana Ana Camila Esteves, ao lado da curadora espanhola Beatriz Leal-Riesco. O objetivo era ampliar a circulação de filmes africanos contemporâneos nas salas brasileiras.

Em nove anos, o projeto soma 22 edições em sete cidades: Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo, Porto Alegre, Aracaju, Poços de Caldas e Curitiba. O alcance supera 350 mil pessoas, com mais de 400 filmes exibidos, mais de 65 convidados internacionais e 45 atividades de formação.

A edição de 2026 tem realização de Ana Camila Comunicação e Cultura, apoio da Embaixada da França no Brasil e do Instituto Francês. No Rio de Janeiro, conta com a parceria do CCBB.


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