A trajetória de Lina Bo Bardi ganha uma leitura aprofundada na Itália por meio de mobiliário histórico, projetos icônicos e a relação transformadora que a arquiteta construiu com o território brasileiro.
Eu poderia contar várias histórias sobre a Lina, mas escolhi aquela que começa em casa e se transforma através da sua relação com a terra, aquela que traça quem ela foi e quem ela se tornou no Brasil.
A bagagem racionalista que a arquiteta ítalo-brasileira consolidou em Milão, atuando ao lado de Gio Ponti na revista Domus, encontrou outro horizonte ao desembarcar em solo nacional no ano de 1946. Em vez de sobrepor preceitos europeus à realidade local, Lina Bo Bardi estabeleceu uma dinâmica de troca contínua com a cultura e o cotidiano do país que escolheu como pátria.

O diálogo entre arquitetura e paisagem
Essa simbiose começou a se materializar na Casa de Vidro, erguida sobre o terreno em declive e cercada pela mata no bairro paulistano do Morumbi. A estrutura manteve o rigor técnico enquanto se abria à luz natural e à vegetação, projetada para integrar o interior diretamente com o ambiente ao redor.
Mais tarde, a convivência comunitária ganhou escala coletiva na concepção do SESC Pompéia, cujas intervenções ocorreram entre 1977 e 1982. Diante de uma antiga fábrica de tambores ocupada por lazer espontâneo, o projeto preservou os galpões fabris e ergueu torres de concreto bruto sem interromper o uso vivo que a comunidade já fazia do espaço.

Mobiliário histórico e reedições licenciadas
A mostra organizada pela ETEL na Villa del Grumello, integrada ao Lake Como Design Festival, exibe peças que documentam essas fases de criação. Desenvolvido com autorização do Instituto Bardi, o acervo inclui reedições exclusivas de móveis concebidos entre 1948 e 1949 para a residência da arquiteta e para o primeiro auditório do Museu de Arte de São Paulo.
Entre os exemplares apresentados estão:
- Cadeira Auditório MASP
- Poltrona Bola de Latão
- Cadeira de Balanço
- Poltrona Três Pés
- Carrinho de Chá LBB
- Mesa Lateral Ninho e Mancebo LBB
A produção ligada ao canteiro de obras da Pompéia é representada por criações da Marcenaria Baraúna, fundada em 1986 por Lina e pelo arquiteto Marcelo Ferraz, incluindo a Cadeira Girafa, a Mesa Girafa, a Banqueta Girafa e a Cadeira Frei Egídio.

Serviço
- Exposição: Lina Bo Bardi, HOME | LAND, The ethic of the heart
- Período: 12 a 20 de setembro de 2026
- Local: ETEL, Villa del Grumello (Lake Como Design Festival 2026)
- Expografia: Studio Superluna
- Apoio: Instituto Bardi


