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Mural de 26m transforma muro da CPTM em ato de solidariedade

Inaugurado na Mooca, o mural “Acolhida” do artista Edoardo Ettorre celebra 30 anos do Arsenal da Esperança e alcança 400 mil passageiros por dia na Linha 10-Turquesa.

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Um muro de estação ferroviária virou tela. No último dia 21 de abril, a plataforma da estação Maria-Fumaça, na Mooca, ganhou uma das maiores intervenções de arte urbana já realizadas naquela parte de São Paulo: o mural Acolhida, com 26 metros de largura e 8 metros de altura, assinado pelo artista italiano Edoardo Ettorre. A obra integra as celebrações dos 30 anos do Arsenal da Esperança e foi produzida com a ajuda direta de seis pessoas acolhidas pela instituição.

Ettorre não chegou, pintou e foi embora. Ele ficou hospedado no Arsenal durante os sete dias em que trabalhou na pintura — uma imersão que marcou tanto a obra quanto o artista. “Foi uma vivência inesquecível acompanhar o dia a dia do Arsenal da Esperança. Sou muito grato aos acolhidos que participaram como voluntários e contribuíram para a realização deste trabalho. Espero que todos se conectem com a obra, feita com muito envolvimento”, disse ele durante a cerimônia de inauguração.

Uma mensagem diária para 400 mil pessoas

Instalada no muro que separa o Arsenal da Esperança da plataforma ferroviária, a obra pode ser vista a partir do Museu da Imigração e deve impactar cerca de 400 mil passageiros por dia que circulam pela Linha 10–Turquesa da CPTM, no trecho entre as estações Brás e Juventus–Mooca, segundo dados do Estadão Mobilidade de 2025. Quem quiser apreciá-la com mais calma pode ir até a rua Palmorino Mônaco, altura do número 834.

O padre italiano Simone Bernardi, diretor da instituição, definiu o sentido da obra em poucas palavras durante o evento: “‘Acolhida’ é um convite para que milhares de pessoas conheçam o Arsenal da Esperança e se somem a esse trabalho de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade.” Para ele, o mural também é um espelho dos 30 anos de história da casa. “Este ano celebramos os inúmeros gestos de acolhimento e as oportunidades geradas ao longo de três décadas, que impactaram diretamente milhares de vidas.”

Um projeto que levou três anos para sair do papel

A curadora Giulia Lavinia Lupo, da She Wolf by Giulia, conta que a ideia nasceu de uma conversa em 2023 com o padre Simone, amadureceu em 2025 e só tomou forma graças a um esforço coletivo. “Esperamos que todos que a vejam sintam-se convidados a estender a mão a quem precisa”, afirmou ela. “Tudo o que fizermos pelo Arsenal ainda será pouco diante da grandeza do trabalho realizado aqui.”

A parceria com o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo foi fundamental para viabilizar a realização. Para Lillo Guarneri, diretor da instituição, o local escolhido carrega uma carga simbólica difícil de ignorar. “Há uma forte carga simbólica no local, já que o mural está no mesmo muro por onde muitos imigrantes chegavam à cidade de trem”, ressaltou. “Essa obra contribui para que o Arsenal da Esperança seja ainda mais conhecido.”

Três décadas, 80 mil histórias

Reconhecido como o maior centro de acolhida de São Paulo, o Arsenal da Esperança atende diariamente cerca de 1.200 homens em situação de vulnerabilidade social. Em 30 anos de existência, já recebeu aproximadamente 80 mil pessoas, oferecendo ações educativas, culturais e de capacitação profissional voltadas à geração de renda e à reconstrução de trajetórias. Em dezembro de 2024, a instituição recebeu a Salva de Prata, maior honraria da Câmara Municipal de São Paulo.

Quem conhece o Arsenal costuma se surpreender com sua dimensão e com tudo o que é oferecido aqui.

Padre Simone Bernardi, diretor do Arsenal da Esperança

Cerimônia reuniu autoridades e um passeio de trem

A inauguração começou com o descerramento da placa comemorativa no Salão Vida Fraterna e seguiu até a plataforma, onde o público pôde ver o mural de perto e fotografar ao lado de Ettorre. Estiveram presentes a vice-cônsul da Itália em São Paulo Marianna Haddad, a diretora do Museu da Imigração Alessandra Almeida, o deputado da República Italiana Fábio Porta e o deputado estadual Paulo Fiorilo. O evento terminou com um passeio de Maria-Fumaça pela estação ferroviária histórica — um detalhe que conectou passado e presente de forma bastante literal.


Serviço

Mural de 26m transforma muro da CPTM em ato de solidariedade
Foto: José Luiz Altieri
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