O Museu do Amanhã se transformou, nesta sexta-feira (19), em um espaço estratégico de reflexão sobre o futuro do sistema de Justiça brasileiro. Com a presença do presidente do STF, Edson Fachin, e de líderes dos principais tribunais do país, o seminário “A Justiça do Amanhã” colocou em pauta o papel das cortes na garantia de direitos fundamentais em um cenário marcado por transformações tecnológicas e sociais.
garantia de direitos fundamentais em um cenário marcado por transformações tecnológicas e sociais.O encontro reuniu autoridades, juristas e especialistas para discutir como o Judiciário pode responder com mais eficiência, transparência e humanidade às demandas contemporâneas. A iniciativa reforça o posicionamento do museu como um espaço de diálogo sobre temas centrais para a sociedade, ampliando sua atuação para além da ciência e da cultura.
A Justiça diante das transformações tecnológicas
Na abertura do seminário, Edson Fachin apresentou uma visão que sintetiza os desafios atuais: a construção de uma “Justiça da Fraternidade”. Para o ministro, o avanço tecnológico exige uma resposta institucional que preserve o elemento humano das decisões judiciais.
Ao destacar o impacto da inteligência artificial no sistema judicial, Fachin foi direto ao diferenciar capacidade técnica de sensibilidade humana. Segundo ele, embora sistemas automatizados possam analisar grandes volumes de dados, não substituem a responsabilidade moral envolvida em decisões que afetam vidas.
mm sistema de inteligência artificial pode identificar padrões em milhões de decisões, mas não pode experimentar o encontro humano, nem sentir o peso moral da responsabilidade de decidir sobre a vida de outra pessoa.
O presidente do STF também apontou medidas concretas adotadas pela Corte, como a elaboração de um novo Código de Ética — sob relatoria da ministra Cármen Lúcia — e a criação de um portal de transparência voltado aos vencimentos da magistratura.
A defesa da transparência apareceu como eixo central da gestão atual. Para Fachin, garantir acesso à informação não é apenas uma prática administrativa, mas um compromisso democrático.
Tribunais superiores e os desafios da modernização
A programação da manhã reuniu também nomes centrais da estrutura judicial brasileira, ampliando o debate para diferentes perspectivas institucionais. Participaram a presidente do Superior Tribunal Militar, Maria Elizabeth Rocha; o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho; e o presidente do Superior Tribunal de Justiça, Herman Benjamin, que contribuiu remotamente.
O foco das discussões esteve na modernização da gestão pública e na necessidade de tornar o sistema de Justiça mais ágil e alinhado às demandas sociais. Em um cenário de crescente complexidade, a integração entre eficiência administrativa e compromisso ético apareceu como um dos principais desafios.
As falas convergiram na ideia de que o Judiciário precisa acompanhar as transformações da sociedade sem perder sua função essencial: garantir direitos fundamentais e preservar o equilíbrio democrático.
O papel das instituições no debate público
Além das discussões técnicas, o seminário também destacou a importância das instituições na construção de um ambiente democrático sólido. Para Ricardo Piquet, diretor-geral do idg, o fortalecimento do debate público passa pela atuação conjunta de diferentes setores.
instituições comprometidas com o interesse público tornam-se ainda mais essenciais. O Judiciário, a imprensa, as universidades, os centros de pesquisa e os espaços dedicados à ciência, como o Museu do Amanhã, e à cultura cumprem um papel fundamental na defesa da democracia e na qualificação do debate público
A fala reforça o papel ampliado de espaços culturais como o Museu do Amanhã, que vêm se consolidando como ambientes de reflexão sobre questões estruturais da sociedade contemporânea.
Encerramento com foco em ética e democracia
A programação do seminário segue ao longo do dia e será encerrada pela ministra Cármen Lúcia. A expectativa é que sua participação aprofunde o debate sobre limites éticos, proteção da democracia e os desafios que devem orientar o futuro da Justiça no país.
O encontro é promovido pela República.org, pelo idg e pelo Museu do Amanhã, consolidando uma agenda que busca aproximar o Judiciário da sociedade e ampliar a compreensão pública sobre o funcionamento das instituições.
Sobre o Museu do Amanhã
O Museu do Amanhã é gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão — idg. O projeto é uma iniciativa da Prefeitura do Rio de Janeiro, concebido em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, instituição ligada ao Grupo Globo.
Exemplo de parceria entre o poder público e a iniciativa privada, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), conta com o Itaú como patrocinador estratégico, além de Shell, Vale e Motiva como mantenedores. Também reúne patrocinadores como IBM e TAG, com apoio de empresas e instituições como Globo, Águas do Rio, Heineken, Saint-Gobain, Bloomberg, Engie, B3, White Martins, Caterpillar, Granado, Mattos Filho, EMS e Porto.
Por meio da Lei de Incentivo Municipal, recebe apoio da Accenture e Fitch Ratings, além de parcerias de mídia com Rádio Mix, NovaParadiso, JB FM, Revista Piauí, Folha de S.Paulo e Canal Curta ON.
Serviço
- Evento: Seminário “A Justiça do Amanhã”
- Local: Museu do Amanhã
- Data: 19 de junho de 2026
- Participação: Edson Fachin, Cármen Lúcia e presidentes dos principais tribunais do país

