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NNPC estreia espetáculo gratuito sobre diáspora negra em SP

NNPC estreia espetáculo gratuito sobre diáspora negra em SP

Um rio encantado conduz gêmeos por tempos e espaços distintos: o NNPC estreia Nossa Conquista no Teatro Flávio Império com entrada gratuita a partir de 30 de abril.

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Nossa Conquista e a trilogia Escombros

O Núcleo Negro de Pesquisa e Criação (NNPC) apresenta sua nova criação em um momento especial: o coletivo completa 10 anos de existência em 2026. Nossa Conquista é a parte 2 da trilogia Escombros, projeto dramatúrgico que investiga, de forma ficcional, as relações entre fome, terra, colonialismo, identidade e capitalismo em intersecção com a ancestralidade e a história da população negra-diaspórica.

A parte I da trilogia, Fala das Profundezas, estreou em 2022 no Sesc Belenzinho e foi publicada pela Editora Javali em 2018. Agora, Nossa Conquista avança essa investigação com uma história original sobre os desencontros e encontros dos gêmeos Machépé e Zizú, conduzidos por um rio encantado ao longo de diferentes tempos e espaços.

A personagem Neydí, responsável pelos irmãos quando crianças, costura os fios dessa jornada. Por meio dela e dos gêmeos, o espetáculo instala relações tensivas entre festa, guerra, imaginação, temporalidade, refúgio e imigração, poder, sincretismo religioso e crise climática.

Em seus encontros e desencontros em diferentes tempos e espaços conduzidos por um rio encantado, apresentam-se as relações intrínsecas entre a colonização, a diáspora negra, as subjetividades humanas, e o destino fatal do meio ambiente cuja exploração pelo capitalismo predatório aponta para a queda do céu.

Dramaturgia, direção e trilha sonora ao vivo

A dramaturgia e a direção são de Gabriel Cândido, um dos fundadores do NNPC. O texto é dialógico com a contemporaneidade e estruturado sobre a narratividade como expressão poética, ética, estética e política.

O espetáculo conta com trilha sonora autoral executada ao vivo, em um jogo cênico que integra atrizes, ator, músicos e musicista. São nove canções concebidas em sala de ensaio a partir de uma multiplicidade de gêneros da cultura negra brasileira e diaspórica, além de sonoridades eletrônicas.

A montagem foi elaborada para o formato de frontalidade na relação com o público, o que a torna adequada para diferentes tipos de palcos e teatros. O desenho de luz, o cenário, o figurino e os objetos cênicos funcionam como elementos narrativos integrados, compostos para serem sentidos como um quadro vivo.

Fomento ao Teatro e atividades do projeto

A montagem está em processo de pesquisa e criação desde o primeiro semestre de 2025. O projeto foi contemplado pela 43ª edição do Fomento ao Teatro da cidade de São Paulo. Além do espetáculo, o NNPC realizou a atividade formativa Laboratório de Poéticas Cênicas e lançará um foto-livro que registra a trajetória do coletivo por meio das imagens.

Quem é o NNPC

O Núcleo Negro de Pesquisa e Criação foi fundado em São Paulo em 2016 por Deni Marquez, Gabriel Cândido, Jerê Nunes, Maria Gabi e Thais Namai. O coletivo dedica-se à concepção de obras autorais sobre memória, história, territorialidade, identidade e subjetividade da população negra por meio do teatro e do audiovisual.

Entre os marcos de sua trajetória estão a estreia pública na 18ª edição do Festival de Cenas Curtas do Galpão Cine Horto em Belo Horizonte, com o experimento Boa Aparência (2017); o experimento cênico Ouça o Canto do Amor Dentro de Ti no Festival Satyrianas (2019); e o curta-metragem Jardim Peri Alto em Cena (2019), selecionado para o 30º Festival Internacional de Curtas de São Paulo. A peça Fala das Profundezas percorreu formatos de leitura encenada (2018-2019), peça radiofônica (2020) e estreia cênica (2022), acompanhada de podcast sobre o processo criativo.


Serviço

NNPC estreia espetáculo gratuito sobre diáspora negra em SP
Foto: Jerê Nunes
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Foto: Jerê Nunes
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Foto: Jerê Nunes
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