Setenta telas e uma instalação atravessam 1983–2025 na mostra Nonatto Coelho 4 Décadas de Arte, que abre dia 27/01 no MAG, com entrada franca.
O que é o tempo quando a arte vira medida de vida? É por essa pergunta que a exposição individual de Nonatto Coelho guia o público, ao reunir cerca de 70 pinturas, dois objetos e uma instalação produzidos entre 1983 e 2025. A visitação é gratuita e segue até 1º de março, no MAG – Museu de Arte de Goiânia.
Uma trajetória contada em fases
Com curadoria de Sanatan, precursor do Naturalismo em Goiás, a mostra celebra quatro décadas de trabalho contínuo do artista. Ao longo de 42 anos de dedicação ininterrupta ao ofício, Nonatto realizou exposições no Brasil e no exterior, atravessando linguagens e períodos sem perder o impulso de experimentação.
“Celebro quatro décadas de trajetória artística, desde a minha primeira participação profissional no V Salão Nacional de Arte, realizado no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro em 1982”, afirma Nonatto. A exposição no MAG amplia essa linha do tempo ao reunir obras de diferentes fases, permitindo observar mudanças de técnica, tema e ritmo.
“O tempo na arte é outro”
Para o artista, a passagem do tempo não se comporta do mesmo modo dentro do ateliê. “O tempo na arte é outro, pelo menos na minha visão. A arte em meu ver tem um parentesco com a religião e a ciência”, diz. Ele também relaciona esse olhar à experiência de 11 anos vivendo na Grécia, onde aprendeu outra percepção de ciclo e conquista por décadas.
Aos 62 anos, Nonatto afirma seguir movido pela ideia do agora. “Ainda me sinto jovem com 62 anos e tudo que desejo é continuar minha caminhada onde quer que esteja.” Ao fazer um balanço, ele evita eleger “a exposição mais relevante” e insiste no essencial: continuar produzindo e deixar que o tempo indique o que foi mais significativo.
Da infância ao circuito internacional
Natural de Montalvânia (MG), Nonatto desenha desde criança e iniciou a pintura com pincel aos 18 anos. Aos 19, inscreveu-se em um concurso em sua cidade, o GREMI, e foi selecionado, ao lado de Cleber Gouvêa e Carlos Sena, para representar Goiás no V Salão Nacional de Arte Moderna, promovido pela FUNARTE no MAM (Rio de Janeiro).
Em 1990, o artista ganhou um prêmio de viagem a Paris em uma Bienal Nacional de Goiás. A partir desse impulso, conheceu a Europa e permaneceu por mais de uma década, fixando residência em Atenas e realizando exposições individuais e coletivas no continente.
Street Art e a pulsação do presente
Nas reflexões que acompanham a mostra, Nonatto defende que a vida é cíclica e que a arte reaparece em novas “roupagens”, conforme o que se move na sociedade. Ele comenta que, na atualidade, percebe uma onda conservadora que tenta conter “emoções” artísticas.
O artista também relembra a relação com a Street Art e o grafitti em Goiás. “Há mais de quarenta anos introduzi a arte do grafitti (Street Art) de forma espontânea em Goiás. Na época, eu e o colega Edney Antunes tínhamos o grupo ‘Pincel Atômico’”, diz. Segundo ele, a prática passou por muros de Inhumas, Goiânia e Uberaba, além de intervenções na ilha de Rhodes, na Grécia, e em viadutos do deserto de Negev, em Israel.
Se no começo o ritmo era de até 12 horas por dia, hoje o trabalho é mais contido — sem perder a emoção. Ao aconselhar artistas no início do caminho, Nonatto resume a própria disciplina em uma frase: “Nascemos para sermos bons e nos tornarmos cada dia melhores”.
Serviço
Assunto: Exposição | “Nonatto Coelho 4 Décadas de Arte”
Quando: terça-feira (27/01), às 19h
Onde: MAG – Museu de Arte de Goiânia (Rua 01, 605, Setor Oeste, Goiânia-GO)
Mais informações: https://www.instagram.com/nonatto_coelho_/
Entrada franca!
Foto: Divulgação















