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O diabo que entrou no corpo errado chega aos palcos

Escrita em 1997, O Diabo com Tetas, de Dario Fo, estreia em São Paulo com corrupção, absurdo e música ao vivo — e parece falar do Brasil de hoje.

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Um diabo com planos ambiciosos resolve se infiltrar no corpo de um juiz severo e moralista para corrompê-lo por dentro. O problema: ele erra o alvo e acaba habitando o corpo da empregada do juiz. A partir daí, a confusão só cresce — e com ela, a sátira. É essa a premissa de O Diabo com Tetas, comédia inédita de Dario Fo que estreia no dia 1º de maio, no Teatro Commune, em São Paulo, sob direção geral de Augusto Marin.


A montagem chega aos palcos como homenagem ao centenário de nascimento do dramaturgo italiano — Fo nasceu em 1926 e morreu em 2016, deixando uma obra que atravessa décadas sem perder o fôlego. Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1997, ele é autor de peças como Morte Acidental de um Anarquista e Não se paga, não se paga, e é considerado um dos dramaturgos mais montados do século XX.


Um espelho do presente

Escrita em 1997 e baseada na tradição da Commedia Dell’Arte, a peça foi adaptada para o contexto brasileiro com um olhar contemporâneo. Cardeais corruptos, testemunhas falsas, julgamentos morais e demônios que conduzem a trama para o paradoxo — o texto de Dario Fo parece ter antecipado manchetes que viriam décadas depois.


Qualquer semelhança com as notícias dos dias de hoje é mera coincidência. Vocês sabem que os antigos sempre copiaram descaradamente escândalos e personagens de nossos eventos atuais!

Dario Fo

O diretor Augusto Marin resume a motivação do projeto: “Este ano comemora-se o centenário de Dario Fo e quisemos homenageá-lo com esse seu texto satírico, político e atual.” A Commune presta ainda um agradecimento especial a Domitilla Ruffo (in memoriam), agente de Dario Fo na Itália, cuja contribuição foi fundamental para a realização do espetáculo.


Linguagem viva, música e gramelô

A encenação aposta em uma linguagem física exuberante, com uso de máscaras, dança, trocas de corpos e o chamado gramelô — a língua inventada por Dario Fo que comunica pela sonoridade e pelo gesto, dispensando palavras conhecidas. A ironia e o sarcasmo conduzem o ritmo, mas é a música ao vivo que amarra tudo.


As canções originais de Dario Fo foram recriadas por Sérvulo Augusto e são executadas em cena com sanfona, violão e percussão por Paulo Dantas e Pedro Mendes — que também integram o elenco. Essa fusão entre teatro e música ao vivo é uma das marcas do espetáculo e reforça a herança da Commedia Dell’Arte na proposta da Commune.


Elenco e equipe

No palco, Augusto Marin divide o espaço com Armando Liguori Junior, Natalia Albuk, Carlos Capelette, Fabrício Garelli, Juliano Dip, Isabela Prado, Mariana Blanski e Fabio Godinho. A direção conta ainda com Armando Liguori Junior como diretor e Matheus Melchionna na codireção. Cenários e figurinos são assinados por Maria Zuquim e Augusto Marin, com imagens e desenhos criados por João Garcia Miguel, de Portugal.


A Commune e seu legado

Fundada em 2003, a Commune é uma das companhias teatrais mais consolidadas de São Paulo. Em 2014, foi declarada Patrimônio Cultural do Município pelo CONPRESP. Desde 2005, atua como Ponto de Cultura e já formou mais de 2.000 jovens pelo Projeto Teatro Cidadão. O espetáculo é uma realização da Commune com apoio da 41ª edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para a Cidade de São Paulo — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa — e parceria com o Istituto Italiano di Cultura di San Paolo.




Serviço



O diabo que entrou no corpo errado chega aos palcos
Foto: Carlos Garcia
O diabo que entrou no corpo errado chega aos palcos
Foto: Carlos Garcia
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Foto: Carlos Garcia
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Foto: Carlos Garcia
O diabo que entrou no corpo errado chega aos palcos
Foto: Carlos Garcia
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