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O Dragão voa sobre o Rio com crítica que não envelhece

O Dragão voa sobre o Rio com crítica que não envelhece

Escrita durante a 2ª Guerra Mundial, “O Dragão”, de Eugène Schwartz, estreia no Rio de Janeiro em 1º de maio com 24 atores e um dragão de seis metros sobrevoando a plateia no Armazém da Utopia.

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Era 1943. Leningrado estava sitiada. O dramaturgo russo Eugène Schwartz e toda a companhia do Teatro de Comédia haviam sido transferidos para Duchambé, no Tajiquistão. Em meio ao caos da guerra, Schwartz concluiu em um ano a peça que havia começado a escrever quatro anos antes, às vésperas do pacto germano-soviético — aquele estranho acordo de “paz” entre Hitler e Stalin que muitos chamaram de “meia-noite no século”. O resultado foi “O Dragão”, um conto de fadas para adultos que narra a história de um povo dominado há 400 anos por uma criatura de três cabeças, tão acostumado à servidão que já não reconhece a liberdade quando ela aparece.

A Companhia Ensaio Aberto traz esse texto ao palco carioca com direção de Luiz Fernando Lobo. A estreia está marcada para o dia 1º de maio de 2026, uma sexta-feira, no Armazém da Utopia, no Cais do Porto. A temporada segue até 8 de junho, com sessões de sexta a segunda, sempre às 20h.

Uma fábula com urgência contemporânea

O próprio Schwartz deixou uma pista sobre suas intenções: “Não se conta um conto de fadas para esconder, mas para revelar.” O diretor Luiz Fernando Lobo não deixa dúvidas sobre por que a peça importa agora.

“O Dragão” é uma peça que, apesar de escrita em 1943, traz de volta as conquistas do teatro russo-soviético dos anos 20 e dos anos 30. Um texto profundamente político, onde a fantasia tem um papel fundamental. O espetáculo é oportuno e necessário, especialmente quando nos encontramos na iminência de uma possível 3ª Guerra Mundial e assistimos passivamente ao assassinato de milhares de civis em Gaza, no Líbano e em outras partes do mundo. — Luiz Fernando Lobo, diretor

A montagem parte do encantamento visual dos contos fantásticos e das cores de Marc Chagall para ancorar uma memória histórica de luta que dialoga diretamente com o presente. O cenógrafo J. C. Serroni criou um grande dispositivo cênico especialmente para o espaço do Armazém da Utopia, com capacidade para 300 espectadores.

Um dragão de seis metros e 24 atores em cena

Um dos momentos mais esperados do espetáculo é o voo do dragão. A criatura de seis metros, confeccionada por Eduardo Andrade, sobrevoa a plateia numa traquitana projetada por Claudio Baltar — o mesmo responsável pelas máscaras e grande parte dos adereços da montagem. A acrobacia aérea tem assinatura de Adelly Costantini e Lana Borges.

Em cena, 24 atores se revezam entre personagens principais, o coro operário, lanceiros e tropa de choque. O diretor Luiz Fernando Lobo interpreta o próprio dragão. Leonardo Hinckel é Lancelot, o cavaleiro que desafia a criatura; Tuca Moraes vive o gato; Luiza Moraes dá vida a Elsa; Gilberto Miranda é Carlos Magno; Claudio Serra encarna o burgomestre; e Mateus França, Henrique.

Equipe de criação

A tradução da peça é da escritora Maria Julieta Drummond de Andrade. Os figurinos são assinados por Beth Filipecki e Renaldo Machado, a iluminação por Cesar de Ramires e a direção musical e trilha sonora original por Felipe Radicetti. A preparação corporal fica a cargo de Luiza Moraes. A direção de produção é de Tuca Moraes, e a produção executiva de Aninha Barros.

O espetáculo é patrocinado pela Petrobras via Lei Rouanet e conta com apoio da CSN — Companhia Siderúrgica Nacional, por meio da Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio de Janeiro (ICMS) e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (Secec).


Serviço

O Dragão voa sobre o Rio com crítica que não envelhece
Foto: Divulgação
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