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O monólogo que nasceu de um relacionamento abusivo e virou palco

O monólogo que nasceu de um relacionamento abusivo e virou palco

Após viralizar com série sobre violências cotidianas contra mulheres, Mariana Rosa estreia monólogo em SP com relatos reais do público em 28 de maio.

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Nas redes sociais, a série “Meu nome é Mariana e eu sou…” mobilizou milhares de mulheres ao nomear o que muitas viviam em silêncio: ser chamada de “louca”, “dramática” ou “exagerada” por quem deveria respeitar. Agora, a atriz, roteirista e diretora Mariana Rosa transforma esse material em teatro. O monólogo “Quando Eu Era Mulher” estreia no dia 28 de maio, no Teatro Estúdio, em São Paulo, com temporada até 18 de junho.

O espetáculo não nasce de uma pesquisa distante. Ele parte de uma experiência pessoal da artista com um relacionamento abusivo e se expande a partir dos relatos reais enviados pelo público durante a repercussão dos vídeos. Cada história recebida atravessa a dramaturgia e transforma o solo em um mosaico de vozes femininas.

De uma tela para o palco

A passagem do digital para o teatro não é apenas uma mudança de suporte. Para Mariana Rosa, é um aprofundamento de um diálogo que já existia. Ela explica o movimento com suas próprias palavras:

Quando comecei na internet, tive que vencer o medo de me expor e ser julgada. Como se a comunicação através das redes fosse um trabalho superficial. Hoje, minha maior inspiração vem de mulheres que estão atrás de uma tela. A gente se reconhece e se conecta de uma forma muito genuína e verdadeira. Abrir esse processo teatral e personificar o encontro através da presença é um movimento de potencializar essa troca e dar voz a tantas Marianas.

— Mariana Rosa, atriz e criadora do espetáculo

No palco, a atriz transita entre diferentes “Marianas”, construídas a partir dessas vivências compartilhadas. A encenação combina linguagem do absurdo com estética minimalista, deslocando o olhar do público para mecanismos sutis de desvalorização e controle que atravessam o cotidiano feminino.

Violências normalizadas em cena

O que torna “Quando Eu Era Mulher” urgente é justamente aquilo que ele recusa ignorar: a violência que não deixa marca visível. São dinâmicas de controle emocional, humilhações repetidas e apagamentos que acontecem dentro de relacionamentos afetivos, núcleos familiares e ambientes de trabalho. O espetáculo tensiona essas estruturas em um contexto de aumento dos índices de violência contra a mulher no país.

Com duração de 60 minutos e classificação indicativa de 16 anos, o espetáculo aposta na identificação, no incômodo e na provocação como caminhos para estimular reconhecimento, autonomia e ruptura com ciclos abusivos. A proposta é que o público não saia do teatro da mesma forma que entrou.


Serviço


O monólogo que nasceu de um relacionamento abusivo e virou palco
Foto: Vitor Vieira
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