46 crianças do Complexo da Maré apresentam poesia, música e dança no encerramento do projeto Leituras na Favela, que completa cinco anos formando leitores.
O que começou em 2021 como uma chamada de vídeo com dez jovens lendo os livros do vestibular da UERJ se tornou, cinco anos depois, um dos projetos culturais mais consistentes do Complexo da Maré. Na próxima terça-feira, 12 de maio, o Leituras na Favela celebra o encerramento de mais um ciclo com um sarau que reúne poesia, música, literatura e dança — tudo protagonizado pelas crianças que passaram pelas oficinas nos últimos três meses.
O evento acontece na Biblioteca Municipal Jorge Amado, dentro da Areninha Cultural Herbert Vianna, e terá os responsáveis pelos alunos como convidados. É o momento em que o projeto sai das rodas de conversa e das atividades artísticas semanais e se abre para a comunidade ver o resultado.
Cinco anos, 46 crianças e uma biblioteca adaptada
Toda terça-feira, alunos das escolas públicas da região chegam à biblioteca para participar de oficinas gratuitas de literatura. São 46 crianças e adolescentes entre 5 e 15 anos matriculados na rede municipal de ensino. A equipe tem dez colaboradores, a maioria negra e moradora de favela — uma escolha que não é acidental.
O projeto tem como eixo central valorizar o protagonismo negro, indígena e feminino a partir da infância. Cada encontro inclui roda de conversa, atividade artística, lanche nutritivo e kit leitura. A biblioteca onde as oficinas acontecem está totalmente adaptada para pessoas com deficiência, com rampas e banheiros recém-reformados.
Compreendemos que a maioria dos nossos beneficiários são crianças que vivem em contexto de desigualdade social, em sua maioria negra, por isso a importância de garantia de um lanche nutritivo. Toda a estrutura da biblioteca está adaptada para receber pessoas com deficiência, com rampas e banheiros recém reformados.
Anderson Oli e Camila Mendes, idealizadores do projeto
Menos tela, mais página
Quando Anderson Oli e Camila Mendes começaram o projeto, uma das primeiras constatações foi incômoda: o excesso de tempo diante das telas estava prejudicando a concentração e a capacidade de interpretação dos jovens. A resposta foi direta — criar um espaço onde o livro fosse o centro, e a troca acontecesse presencialmente, olho no olho.
“Ao incentivar a leitura a partir da conexão do livro e das histórias, interagimos com os outros leitores frente a frente, sem telas. Acreditamos que o acesso à leitura amplia as oportunidades e melhora o repertório sociocultural. O livro nos possibilita conhecer e refletir sobre a nossa vida e a vida de outras pessoas reais, por isso gera tanta identificação”, afirmam os idealizadores.
Para montar as turmas, Anderson e Camila visitam escolas da região e instituições locais, além de divulgar nas redes sociais. A abordagem direta — apresentar pessoalmente as atividades nos espaços que as crianças já frequentam — foi fundamental para conquistar alunos e famílias.
Quem está por trás do projeto
Anderson Oli é morador do Complexo da Maré, ator, artista visual, documentarista e educador popular. Graduando em Letras-Literaturas na UFRJ, desenvolve trabalhos no audiovisual e na arte-educação. Camila Mendes é professora de Língua Portuguesa e Literatura, também moradora da Maré, e atua como coordenadora metodológica do projeto — incluindo a vertente Leituras na Favela – EJA: Eles Leem!
O projeto é realizado por meio do edital Territórios em Foco e conta com o incentivo do Governo Federal, do Ministério da Cultura, do Governo do Estado do Rio de Janeiro e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, através da Política Nacional Aldir Blanc.
Serviço
- Evento: Sarau de encerramento do projeto Leituras na Favela
- Data: Terça-feira, 12 de maio de 2026
- Local: Biblioteca Municipal Jorge Amado — Areninha Cultural Herbert Vianna, Complexo da Maré, Rio de Janeiro (RJ)
- Entrada: Gratuita
- Realização: Projeto Leituras na Favela
- Apoio: Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa — Política Nacional Aldir Blanc


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