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O sarau que virou livro dentro dos CAPS da periferia

O sarau que virou livro dentro dos CAPS da periferia

340 pessoas celebraram o lançamento de um livro nascido dentro dos CAPS de Brasilândia e Perus — e o sarau ainda tem mais uma edição nesta quarta.

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Havia música, roda de samba, poesia, arte exposta nas paredes e uma feira de economia solidária. Nos dias 4 e 8 de maio, cerca de 340 pessoas ocuparam dois territórios da Zona Noroeste de São Paulo para participar do Sarau Parapuã — e para celebrar algo que raramente ganha esse tipo de palco: um livro nascido dentro dos CAPS.

O volume lançado nos dois encontros se chama “Oficinas de Arte e Cultura – um sobrevoo pelos CAPS Adultos Brasilândia e Perus” e é resultado direto de uma pesquisa conduzida nos Centros de Atenção Psicossocial da região. Usuários, trabalhadores da saúde, artistas, coletivos e moradores do entorno estiveram lado a lado nas atividades — uma cena que, segundo as responsáveis pelo projeto, deveria ser mais comum.

O que a pesquisa revelou sobre arte e saúde mental

A investigação acompanhou as práticas culturais desenvolvidas no CAPS III Adulto da Brasilândia e no CAPS II Adulto de Perus. A pergunta central era direta: como música, literatura, teatro e artes visuais contribuem para o fortalecimento subjetivo, a convivência e a promoção da saúde mental de quem frequenta esses espaços?

As pesquisadoras Jaqueline Barreto e Emanuela Fontes da Costa foram categóricas na conclusão. “Nos CAPS existe uma produção cultural muito potente que quase nunca ganha visibilidade. São oficinas, experiências coletivas e processos criativos que ajudam a reconstruir vínculos com a vida e com o território”, afirmam.

A loucura precisa ser melhor acolhida. Esses espaços promovem cuidado em liberdade, convivência e práticas culturais nos territórios.

O projeto integra o edital ProAC nº 46/2024 – Pesquisa e Publicação de Estudo Cultural, com apoio do Governo Federal, Governo do Estado de São Paulo, Política Nacional Aldir Blanc, Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas e Fomento CultSP.

Por que o nome Parapuã

O nome do sarau não foi escolhido ao acaso. “Parapuã” é uma palavra de origem Guarani que significa encontro — mais precisamente, a confluência entre rios. É também o nome da rua onde Jaqueline Barreto e Emanuela Fontes da Costa desembarcavam do ônibus para chegar ao CAPS III Adulto da Brasilândia durante o período da pesquisa.

“Eu, Jaqueline, sabia que era um nome Guarani, mas quando descobri o significado não pude deixar de imaginar e sonhar com a confluência das artes geradas dentro desses CAPS. Isso precisava circular e se encontrar num solo fértil e potente que a cultura é”, explica a pesquisadora e proponente do projeto.

O que aconteceu nos dois primeiros saraus

No CAPS AD Brasilândia e na Biblioteca de Perus, a programação foi densa e variada. O projeto “Não Coma o Microfone” marcou presença, assim como o pocket show “Brasilidades e Poesia”, com Gracy Morais. A roda de samba ficou por conta dos grupos “Só Pra Elas” e “Só Pra Alegrar”.

Além das apresentações, houve exposição de arte produzida pelos próprios usuários dos CAPS, feira de economia solidária, oficina de criação de estandartes e cartazes voltados à luta antimanicomial e microfone aberto para quem quisesse se expressar.

Encerramento nesta quarta, com acessibilidade

O terceiro e último encontro do Sarau Parapuã acontece nesta quarta-feira, 13 de maio, no CECCO Perus. A programação vai das 10h ao meio-dia e inclui o lançamento e a venda do livro, além de outros títulos à venda: “Ele amava o silêncio, mas era esquizofrênico”, de Daniel Alves, e “Tariwaki – pajé, mulher e professora”, de Tariwaki Kaiabi Suia. A feira de economia solidária retorna com o coletivo Ô da Brasa, e haverá nova exposição de arte e microfone aberto.

Parte das atividades contará com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição. A entrada é gratuita e a classificação é livre.

Mais informações pelo perfil @saude.na.periferia no Instagram.

https://www.youtube.com/watch?feature=shared&v=J5OV3vkCKAE


Serviço

O sarau que virou livro dentro dos CAPS da periferia
Foto: Divulgação
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