Uma imensa estrutura inflável vermelha guarda em seu interior uma agulha suspensa que atrai o olhar, mas impede o contato físico, transformando a frustração do alcance em matéria artística.
A experiência de encarar algo visível porém inatingível move a instalação criada pela artista visual Flávia Fernandes. A obra propõe um diálogo direto com os sentidos do visitante a partir de um paralelepípedo de plástico translúcido medindo 2,5 metros de altura por 1,40 metro de largura. No centro dessa redoma vermelha, repousa uma agulha de costura de 1,50 metro de comprimento.
É justamente essa situação, da agulha que permanece visível, mas inacessível, que dá nome ao trabalho. O objeto desperta a vontade de alcançá-lo, mas existe uma barreira entre o visitante e aquilo que está dentro da instalação.

A interferência do toque na matéria
Apesar de o núcleo da instalação permanecer blindado ao toque, a casca externa convida à experimentação física. Feita em material maleável, a superfície macia cede e afunda sob a pressão das mãos, garantindo que o próprio corpo do espectador altere temporariamente o formato da estrutura plástica.
Essa relação de proximidade e transformação mútua integra a pesquisa contínua da artista paulistana radicada na capital catarinense. Desde 2001, a criadora investiga o uso de objetos inflados, transparências e tensões espaciais para dissolver as barreiras tradicionais entre observador e obra.
Antes de chegar ao Espaço Lena Peixer, o trabalho integrou a mostra coletiva Táctil, realizada em 2021 no Rio de Janeiro sob curadoria de Riccardo Tartaglia e Regina Nobrez, da Tartaglia Arte di Roma.

Existência, corpo e linguagens múltiplas
Nascida em 1956, a artista articula em sua trajetória vertentes que passam por gravura, pintura, fotografia, teatro, desenho e vídeo. Essa multiplicidade converge para uma pergunta existencial recorrente sobre como o corpo se projeta e atua no espaço ao redor.
O retorno ao espaço institucional da Fundação Cultural Badesc retoma um histórico iniciado em 2007, quando a artista integrou a mostra coletiva Lestada e a Desconstrução. A nova montagem inaugura em 1º de outubro e permanece aberta ao público até o final de novembro.
Serviço
- Exposição: “Desejo”, de Flávia Fernandes
- Abertura: 1º de outubro, às 19h
- Visitação: até 25 de novembro; de segunda a sexta, das 13h às 19h, e aos sábados, das 10h às 16h
- Local: Fundação Cultural Badesc (Espaço Lena Peixer)
- Endereço: Rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis
- Entrada: gratuita
