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Ocupa Boal leva teatro, memória e política ao Sérgio Porto

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O pensamento e a obra de Augusto Boal voltam ao centro do debate cultural com a mostra Ocupa Boal, que ocupa o Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto entre os dias 26 de junho e 19 de julho de 2026. Idealizado pelo Instituto Augusto Boal, o projeto propõe uma imersão na trajetória de um dos maiores nomes do teatro do século XX, reunindo espetáculo inédito no Rio, exposição e atividades que ampliam o acesso ao seu legado.

, reunindo espetáculo inédito no Rio, exposição e atividades que ampliam o acesso ao seu legado. o do século XX, reunindo espetáculo inédito no Rio, exposição e atividades que ampliam o acesso ao seu legado.

À frente do Instituto, Cecília Boal — psicanalista, atriz e companheira de vida e criação do dramaturgo — conduz um trabalho contínuo de preservação e difusão da obra que revolucionou a linguagem teatral ao propor o Teatro do Oprimido como ferramenta estética e política.

Uma ocupação que atravessa gerações

A mostra se constrói como um espaço de encontro entre memória e criação contemporânea. Ao reunir diferentes formatos — teatro, audiovisual e reflexão —, o projeto amplia a compreensão sobre o impacto de Boal no Brasil e no mundo.

Mais do que revisitar a trajetória do dramaturgo, a ocupação propõe um diálogo com o presente, reforçando a atualidade de suas ideias e métodos. Ao longo do período, o público também poderá participar de bate-papos e oficinas, criando um ambiente de troca direta com artistas e pesquisadores.

“Hamlet 16×8” estreia no Rio

Um dos destaques da programação é o espetáculo “Hamlet 16×8”, apresentado pela primeira vez no Rio de Janeiro. O solo é estrelado por Rogério Bandeira, com direção de Marco Antonio Rodrigues, e parte do livro “Hamlet e o Filho do Padeiro: Memórias Imaginadas”.

Na obra, Boal revisita episódios fundamentais de sua vida, como a infância, a experiência no Teatro de Arena, a prisão e o exílio, além de sua trajetória internacional. A encenação transforma esse material em uma experiência cênica que atravessa memória, política e criação.

Rodrigues constrói o espetáculo em diálogo direto com Bandeira, um ator com trajetória marcada pela pesquisa teatral. A cena se organiza como um processo de escavação: ideias, relatos e inquietações de Boal emergem e se reorganizam diante do público, evocando uma geração que redefiniu os caminhos do teatro brasileiro.

Estreada em São Paulo em 2021, a montagem foi indicada ao Prêmio APCA na categoria Melhor Espetáculo, consolidando sua relevância no cenário teatral contemporâneo.

Exposição revela trajetória internacional

A exposição Augusto Boal, com curadoria de Cecília Boal e Daniela Camargo, amplia o olhar sobre a dimensão histórica e artística do diretor. O percurso expositivo reúne cartazes, fotografias e registros de montagens realizadas no Brasil e no exterior.

O material audiovisual inclui ainda trechos de entrevistas e depoimentos de Boal, além de relatos de artistas e colaboradores que fizeram parte de sua trajetória. Esses registros ajudam a construir uma narrativa que vai além da biografia, revelando redes de criação e circulação cultural.

A exposição também evidencia o papel central de Boal como divulgador da dramaturgia íbero-latino-americana, destacando sua atuação como ponte entre diferentes contextos culturais e políticos.

Legado que permanece em movimento

A presença de Cecília Boal à frente do Instituto reforça a continuidade de um trabalho que não se limita à preservação histórica. Ao contrário, o objetivo é manter o pensamento de Boal ativo, em diálogo com novas gerações e contextos.

Ao ocupar o Sérgio Porto, a mostra reafirma a potência de um teatro que não se encerra no palco, mas se expande como prática social e política. A proposta convida o público a revisitar não apenas a obra de Boal, mas também suas implicações no presente.


Serviço

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