Nos últimos dias no Teatro Carlos Gomes, “Os Irmãos Karamazov” volta ao Rio com leitura contemporânea e acessível de Dostoiévski — e elenco em coro.
Em curta temporada entre 8 e 18 de janeiro de 2026, o espetáculo premiado “Os Irmãos Karamazov” retorna aos palcos cariocas apostando numa adaptação direta, intensa e conectada ao presente. A montagem é dirigida por Marina Vianna e Caio Blat, com produção artística de Luisa Arraes e direção de produção de Maria Duarte, também co-idealizadora do projeto.
A proposta é revisitar o romance de Fiódor Dostoiévski sem simplificar suas camadas filosóficas e morais. Apontado por Sigmund Freud como uma obra-prima da humanidade, o livro ganha aqui uma encenação que busca ser popular e acessível, lembrando que o próprio Dostoiévski escreveu para um público amplo: “Os Irmãos Karamazov” saiu originalmente como folhetim, em capítulos de jornal.
Uma adaptação viva e brasileira
Caio Blat define a peça como resultado de uma maturação longa, guiada por risco e urgência, com foco em fazer a obra dialogar com o Brasil de agora. “Esse espetáculo nasce de mais de dez anos de estudo e amadurecimento. Esse tempo permitiu que a gente não fizesse uma adaptação reverente, mas uma adaptação viva, crítica e contemporânea”, afirma o diretor, que também atua.
A encenação concentra a narrativa nos três dias que antecedem e sucedem o crime central da trama. Com isso, imprime ritmo e proximidade, puxando o público para dentro das tensões que atravessam a história — e que ecoam em temas atuais como poder, autoritarismo, culpa e responsabilidade.
Polifonia, coro e música ao vivo
A dramaturgia, assinada por Caio Blat e Manoel Candeias, nasce de dez anos de estudo sobre o romance e de quatro meses de processo criativo com o elenco. A montagem também leva ao palco a ideia de polifonia, conceito de Mikhail Bakhtin: múltiplas vozes e conflitos coexistem sem uma hierarquia moral.
No palco, isso aparece no uso do coro, na sobreposição de falas, na fragmentação narrativa e na presença de música ao vivo integrada à cena. O resultado é uma experiência imersiva, que tensiona as cenas e amplia o impacto emocional, sem “domar” as contradições do clássico.
Acessibilidade como linguagem
Desde a concepção, a montagem incorpora a acessibilidade como parte da estética e da dramaturgia. Artistas-intérpretes de Libras integram o elenco em cena, compondo a narrativa — não como um recurso colocado depois, mas como elemento criativo desde o início.
“Isso implica olhar para a acessibilidade não como uma contrapartida… E sim uma lente a mais para os criadores, que inspira e amplia possibilidades.”
Para Maria Duarte, a chave está em pensar acessibilidade “de fato” quando se mira o grande público. “Quis trazer intérpretes atrizes para a cena com o elenco, e não tradutores de Libras numa lateral do palco. E o que parecia no início um problema, abriu uma explosão de ideias nesse processo”, completa.
Prêmios, figurino e time criativo
O figurino e a direção de arte de Isabela Capeto dialogam com a coletividade e a atemporalidade, com peças artesanais, sustentáveis e predominantemente brancas — um suporte simbólico para a multiplicidade de vozes. O trabalho venceu o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Figurino e concorre na mesma categoria ao Prêmio Shell.
A montagem também foi premiada pela performance de Babu Santana, vencedor como Melhor Ator Coadjuvante. A equipe inclui direção de movimento de Amália Lima, desenho de luz de Gustavo Hadba e Sarah Salgado, cenografia de Moa Batsow e acessibilidade criativa coordenada por Raíssa Couto.
O elenco reúne 13 artistas que se revezam entre coro e cenas individuais: Caio Blat, Nina Tomsic, Pedro Henrique Muller, Catharina Caiado, Priscilla Rozenbaum, Lucas Oranmian, Arthur Braganti, Sol Miranda, Thiago Rebello, Juliete Viana, Maria Luiza Aquino, Sheila Martins e Sofia Badim.
A volta ao Rio acontece após circulação nacional por São Paulo (capital e interior) e Minas Gerais, com sessões esgotadas.
Sinopse
Ambientada na Rússia pré-revolucionária, a trama acompanha as disputas entre os irmãos Dmitri, Ivan e Aliócha e o pai, Fiódor Karamázov, por herança e pelo amor à mesma mulher. Em meio a ressentimentos e violências, a história desemboca no assassinato do pai tirano e mergulha em questões como culpa, justiça, fé, autoritarismo e responsabilidade moral.
Serviço
Local: Teatro Carlos Gomes
Endereço: Rua Prç. Tiradentes, s/n° – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20060-080
Data: 08 a 18 de janeiro de 2026
Quintas e sextas às 19h
Sábados e domingos às 17h
Espetáculo bilíngue
Classificação Etária: 16 anos
Duração: 120 minutos
Ingressos: https://ingressosriocultura.com.br/riocultura/events/51055?sessionView=LIST
Bilheteria: quartas de 14h às 19h; quintas e sextas às 16h; sábados e domingos às 14h. Abre três horas antes do início do espetáculo, e a casa abre uma hora antes do início do espetáculo.
Foto: Flora Negri





Gostou do nosso conteúdo?
Seu apoio faz toda a diferença para continuarmos produzindo material de qualidade! Se você apreciou o post, deixe seu comentário, compartilhe com seus amigos. Sua ajuda é fundamental para que possamos seguir em frente! 😊
