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OSB executa a Nona de Mahler em série dedicada à Áustria

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A despedida sinfônica de Mahler ecoa no Rio em dois concertos que colocam em cena uma das obras mais densas do repertório ocidental.

A Orquestra Sinfônica Brasileira leva ao palco a Nona Sinfonia de Mahler nos dias 28 de julho e 1º de agosto, às 19h, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e no Teatro João Caetano. Sob regência do maestro Claudio Cruz, o programa integra a Série Mundo e homenageia a Áustria, país natal do compositor.

Última sinfonia concluída por Mahler, a Nona transforma a experiência humana — entre perda, finitude e transcendência — em linguagem sonora.

Reconhecido em vida principalmente como regente, Gustav Mahler construiu uma carreira que passou por cidades como Praga, Leipzig, Budapeste e Hamburgo, até alcançar postos de destaque em Viena e Nova Iorque. Era, porém, nos intervalos de verão que o compositor se dedicava à criação, isolado em sua cabana em Maiernigg, às margens do lago Wörthersee. Desse ritmo surgiram obras que, embora inicialmente incompreendidas, hoje ocupam posição central na história da música.

Com nove sinfonias completas (e uma incompleta), Mahler expandiu os limites do gênero. Suas composições combinam grandes formações orquestrais, durações extensas e uma abordagem expressiva que atravessa temas como alegria, sofrimento e redenção. A Nona, em particular, condensa essa dimensão existencial com intensidade singular.

Quando a biografia atravessa a partitura

A gênese da Nona Sinfonia está diretamente ligada a um período de crise pessoal. Em 1907, Mahler perdeu a filha mais velha, Maria, vítima de difteria. No mesmo ano, recebeu o diagnóstico de uma doença cardíaca grave. Pouco depois, enfrentou ainda a descoberta de uma traição conjugal. Esses episódios reverberam na obra, que carrega marcas de instabilidade emocional e reflexão sobre a morte.

Dividida em quatro movimentos — Andante comodo, um Ländler de caráter rústico, o Rondo-Burleske e um Adagio final —, a sinfonia percorre contrastes abruptos e momentos de suspensão, como se testasse os limites da própria linguagem musical diante do fim.

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