A fusão entre a ciência médica, os registros do Brasil colonial e a pintura de grandes proporções marca a exposição Deslocados Tempos, de Fabiana Gabaskallás, que entra em cartaz no Parque do Palácio reunindo obras inéditas sobre a relação humana com a natureza.
Formada em medicina e com uma trajetória que cruza a investigação científica com a criação visual, a artista Fabiana Gabaskallás ocupa o Parque do Palácio, em Belo Horizonte, a partir de 7 de novembro de 2026. Com curadoria do Instituto Iadê de Arte e Design, a mostra permanece aberta ao público até 20 de fevereiro de 2027, reunindo pinturas em grandes dimensões que tensionam memórias históricas e a passagem do tempo.
Há conhecimentos preservados e outros silenciados, presenças reconhecidas e outras tornadas invisíveis.
Os deslocamentos presentes no título do projeto traduzem os movimentos de populações, as modificações territoriais e as trocas culturais cujas ramificações ecoam por diferentes séculos. O texto curatorial destaca a dualidade da memória coletiva e o modo como certos saberes e identidades foram apagados ao longo do processo de formação social.

Obras monumentais e a anatomia da paisagem
As composições de grande escala organizam-se a partir da proximidade dos corpos e de camadas densas de tinta. Na obra The anonymous (2022–2023), óleo sobre tela de 1,80 por 5,50 metros, dezenas de figuras nuas dividem o espaço horizontal em uma paleta onde os tons de pele se entrelaçam a nuances de azul, verde e cinza. Já no díptico De que serve a terra à vista? (after Barocci) (2022–2023), medindo 2 por 5 metros, adultos e crianças agrupam-se sob uma atmosfera em tons avermelhados, estabelecendo diálogo com a tradição da pintura clássica europeia.
Em Discussões sobre urgências (2023), tela de 2,20 por 2,40 metros, os agrupamentos humanos surgem dispostos diante de montanhas e densa vegetação. O jogo de olhares e a gestualidade das figuras distribuem a atenção do espectador pelo espaço pictórico, aproximando a figura humana do ambiente ao redor.

Da medicina colonial aos acervos de arte
Nascida em Catanduva no ano de 1966, a artista reside e produz em São Paulo. Após concluir a faculdade de medicina em 1989, iniciou seus estudos artísticos entre 1996 e 1998 durante um período de especialização na cidade de Rochester, nos Estados Unidos, frequentando o Rochester Institute of Technology e a George Eastman House. Sua investigação foca na medicina do período colonial brasileiro, analisando registros do uso de espécies botânicas no tratamento de enfermidades tropicais e relendo os relatos de viajantes europeus sobre a Mata Atlântica.
Com obras presentes nos acervos do Acervo Artístico-Cultural dos Palácios do Governo do Estado de São Paulo, do Centro de Pesquisa Clínica da USP e do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, a pintora também integra a programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba, no Museu Oscar Niemeyer (MON), em 2026. A mostra atual integra as ações de expansão do Parque do Palácio, instalado no antigo Palácio das Mangabeiras — residência oficial dos governadores mineiros até 2019 —, que conta ainda com proposições de Sarah Ruach para o desenvolvimento da programação de arte contemporânea de 2027.

Serviço
- Exposição: Deslocados Tempos
- Artista: Fabiana Gabaskallás
- Curadoria: Instituto Iadê de Arte e Design
- Abertura: 7 de novembro de 2026, às 11h
- Visitação: de 7 de novembro de 2026 a 20 de fevereiro de 2027
- Horários: de quarta a sexta-feira, das 10h às 18h; sábados e domingos, das 9h às 18h
- Local: Parque do Palácio
- Endereço: Rua Arquiteto Rafaelo Berti, 330, Portão 1, Belo Horizonte, MG
Apresentação: Instituto Iadê e Ruach | Patrocínio: Baroque Family Office | Apoios: Parque do Palácio, Ruach e Agência Catu
