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Peça sobre Luiza Mahin transforma palco em denúncia sobre luto e memória

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A dor do luto materno ganha contornos de resistência histórica em uma montagem que transforma a denúncia do extermínio da juventude negra em um ato político no centro do Rio de Janeiro.

O passado encontra o presente. A narrativa transcende o tempo.

Idealizada e protagonizada pela atriz Cyda Moreno, a peça “Luiza Mahin… Eu ainda continuo aqui” marca meia década de trajetória ininterrupta. A reestreia ocorre no Teatro Correios Léa Garcia, coincidindo de forma simbólica com as pautas do Agosto Lilás, dedicado ao combate à violência contra a mulher.

A personagem simboliza todas as mulheres negras que seguem lutando pela sobrevivência de seus filhos. O que está em cena é o presente do Brasil.

O eco ancestral das mães periféricas

A espinha dorsal da dramaturgia, assinada por Márcia Santos, nasce de uma carta do abolicionista Luiz Gama destinada à sua mãe, Luiza Mahin. O documento serve como ponto de partida para integrar testemunhos contemporâneos de mulheres reais que enfrentam as consequências brutais da violência urbana.

A trilha sonora pulsa forte. Os arranjos soam ao vivo.

Sob a direção cênica de Édio Nunes e com preparação vocal de Jorge Maya, o espetáculo assume uma linguagem corporal intensa. O elenco constrói uma atmosfera imersiva, na qual a estética escolhida amplifica o sentimento de urgência e a profundidade da ferida exposta.

Trajetória de reconhecimento e embates sociais

O percurso da obra começou como uma experimentação performática em 2020. Ao longo dos anos, a produção desafiou o isolamento pandêmico, promoveu debates incisivos com ativistas de peso e percorreu dezenas de palcos pelo país, acumulando prêmios e gerando reflexões necessárias sobre a estrutura social brasileira.

A atriz reafirma seu compromisso. O palco vira resistência.

Conhecida por papéis de impacto na televisão e no teatro, a artista mineira concilia a atuação com a docência na Mangueira e sua pesquisa de doutorado. Essa base territorial e acadêmica transborda para a encenação, consolidando o espetáculo como uma ferramenta contundente de defesa da memória afro-brasileira.

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