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Pioneira da aviação inspira peça infantojuvenil em cartaz gratuita em SP

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A trajetória de Anésia Pinheiro Machado, primeira aviadora a fazer um voo solo no país, chega aos palcos para romper apagamentos históricos e inspirar novas gerações através de uma narrativa lúdica.

Desafiar as convenções sociais na década de 1920 para pilotar aviões e defender o uso pacífico das aeronaves em tempos de revolução moldou a vida da brasileira Anésia Pinheiro Machado. Essa história de pioneirismo ganha os palcos no espetáculo infantojuvenil E se fosse uma bomba?, concebido pela atriz e pesquisadora Luiza Moreira Salles.

Fazer essas peças é uma maneira de colocá-las no imaginário das crianças, especialmente das meninas, para ampliar as referências de feminino com as quais elas crescem.

A montagem foi contemplada pela 20ª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa e integra a trilogia Estrelas, Bombas e Garotas. A pesquisa iniciou com a história da astrônoma Cecilia Payne no espetáculo Do que são feitas as estrelas? e agora resgata as pioneiras da aviação, incluindo referências a Thereza de Marzo, que também teve o brevê emitido no período e enfrentou a interrupção da carreira após o casamento.

Pioneira da aviação inspira peça infantojuvenil em cartaz gratuita em SP
Foto: Fabio M. Salles

Voo cênico, teatro de sombras e escadas

Dirigida por Rhena de Faria e com texto assinado por Sofia Fransolin, a obra não subestima o público e busca dialogar com adultos e crianças. A linguagem visual recorre à técnica do teatro de sombras, desenvolvida em parceria com a Cia. Quase Cinema, de Taubaté.

No espaço cênico elaborado por Marisa Bentivegna, o mobiliário é composto por escadas articuladas que se transformam diante dos olhos dos espectadores em camas, aviões, portas e mesas escolares. A trilha original assinada por Ernani Sanchez complementa a atmosfera poética com arranjos inspirados em Philip Glass e Meredith Monk, interpretados exclusivamente por vozes femininas.

Conexões entre épocas e conflitos da infância

Em cena, Diego Chilio, Luiza Moreira Salles e Zenaide atuam como comissários de bordo que conduzem uma travessia temporal. O trio dá vida a Santos Dumont, aos pais da protagonista e a episódios de identificação imediata com os jovens espectadores, como as vivências de bullying na escola e a primeira menstruação de Anésia.

A temporada da montagem acontece no Teatro João Caetano, com apresentações agendadas a partir do dia 29 de setembro, oferecendo sessões com recursos de acessibilidade em Libras e audiodescrição.

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