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Plataforma inédita reúne grandes nomes da dança em São Paulo

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Beatriz Sano e Cristian Duarte ocupam o Instituto Capobianco ao longo de julho com uma programação que marca a estreia da TECTÔNICA, nova plataforma dedicada à dança e às práticas do movimento. A iniciativa inaugura um formato inédito de ocupação artística e estabelece um novo momento na trajetória do espaço, agora também voltado à produção autoral no campo da dança contemporânea.

Ao longo das residências artísticas simultâneas, o público acompanha não apenas espetáculos, mas também processos em construção, encontros e experiências que atravessam diferentes linguagens. A proposta vai além da apresentação tradicional: cria um ambiente contínuo de pesquisa, convivência e experimentação.

Uma plataforma que nasce do movimento

A criação da TECTÔNICA parte de uma ideia central: a dança como força de transformação. Inspirada na metáfora das placas tectônicas, a plataforma propõe deslocamentos profundos — ainda que muitas vezes invisíveis — nas formas de perceber, habitar e se relacionar com o mundo.

“Assim como as forças tectônicas transformam a paisagem de maneira lenta e muitas vezes invisível, acreditamos que a dança e o movimento também têm a capacidade de produzir deslocamentos profundos nas formas como percebemos, convivemos e habitamos o mundo.”

A afirmação é de Mariano Mattos Martins, programador do Instituto Capobianco, que destaca a proposta como um espaço dedicado ao corpo em movimento, à criação artística e aos encontros que ampliam possibilidades de pensamento e presença.

Essa perspectiva se materializa em uma programação diversa, que reúne seis espetáculos, duas aberturas de processo, workshops gratuitos e a Mostra Cinestesia, além de ações participativas e intervenções que expandem a experiência para além da sala de espetáculo.

Trajetórias que se cruzam na criação

As residências colocam em diálogo dois percursos distintos e complementares dentro da dança contemporânea brasileira. Beatriz Sano desenvolve uma pesquisa marcada pela relação entre voz e movimento, com circulação internacional e colaborações que atravessam Brasil, Japão e Europa.

Na TECTÔNICA, sua investigação ganha novos desdobramentos. A artista apresenta trabalhos que exploram gesto, memória e paisagem, além de retomar processos que tiveram pouca circulação, ampliando sua visibilidade e criando novas possibilidades de experiência no tempo presente.

“A movimentação das placas tectônicas é uma metáfora para não esquecermos que as matérias estão vivas, em movimento e em fluxo.”

Cristian Duarte constrói sua trajetória a partir da criação de plataformas independentes de experimentação, articulando projetos coletivos e contextos de convivência em dança por meio de sua iniciativa /em companhia.

Na residência, sua prática se expande para um território colaborativo ainda mais aberto, onde o processo importa tanto quanto o resultado. A proposta se organiza como um campo de investigação compartilhada, envolvendo artistas e público.

“O que torna esta residência especial é a possibilidade de construir coletivamente um contexto para a dança.”

Espetáculos e processos em destaque

A programação articula obras já consolidadas e criações em andamento. Entre os destaques de Beatriz Sano estão Um extraordinário canto experimental, que investiga a relação entre voz e gesto a partir da repetição, e a abertura de processo de Imagine Aqui, pesquisa que conecta memória, deslocamento e território.

Outro momento importante é a presença de Cair, de Eduardo Fukushima, que explora o desequilíbrio como motor do movimento, colocando o corpo em estado constante de queda e reconstrução.

Já no eixo de Cristian Duarte /em companhia, obras como Presentes, Morde como um cão e Tudo Vira tensionam relações entre repetição, coletividade e transformação. A programação inclui ainda o dueto Me Envenena, Vem Cá, que dialoga com os excessos da comunicação contemporânea.

Encerrando esse percurso, a abertura de processo de Queima, no dia 23 de julho, apresenta uma nova etapa de investigação que segue em desenvolvimento até 2027.

Workshops e experiências compartilhadas

A TECTÔNICA também investe na formação e no encontro direto com o público. Os workshops gratuitos ampliam o acesso às práticas dos artistas e propõem investigações sobre corpo, escuta e criação coletiva.

Práticas de Respiração e Movimento, com Beatriz Sano, articula técnicas como seitaiho, chi kung e tai chi com exercícios de voz e improvisação. Já Sempre Junto e Nunca Igual, com Cristian Duarte, propõe dinâmicas coletivas baseadas em repetição e convivência.

As atividades são voltadas a pessoas com experiência prévia em dança, teatro ou artes performativas, e as inscrições devem ser feitas pelo site do Instituto.

Mostra Cinestesia amplia a experiência

A Mostra Cinestesia expande o diálogo entre dança e audiovisual, reunindo três filmes em sessões que se desdobram em experiências performativas e encontros com o público.

Entre os destaques está Em Silêncio com Dolls, que propõe uma ativação sensorial antes da exibição do filme de Takeshi Kitano. Já O Baile com um Baile transforma o espaço em pista coletiva após a sessão, convidando o público à dança.

O encerramento acontece com Jamzz, ação performativa inspirada no universo do documentário Dzi Croquettes, que ocupa o espaço urbano com improvisação, música brasileira e participação direta do público.

Instituto Capobianco e o novo ciclo

Localizado no centro de São Paulo, o Instituto Capobianco reforça com a TECTÔNICA seu compromisso com a produção contemporânea e com o desenvolvimento de linguagem artística. Após reabrir em 2025 com um modelo contínuo de residências, o espaço amplia agora seu campo de atuação para a dança.

Além da programação artística, o público encontra o Café Capô, que funciona como extensão da experiência, promovendo convivência e encontros antes e depois das apresentações.


Serviço

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