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Poesia de Manoel de Barros vira fábula dançada no Rio

Poesia de Manoel de Barros vira fábula dançada no Rio

Renata Versiani estreia na direção infantil com espetáculo que transforma versos de Manoel de Barros em dança e teatro físico no Espaço Tápias, de 16 a 31 de maio.

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Com mais de 35 anos de trajetória na dança e uma passagem de sete anos como primeira bailarina do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Renata Versiani escolheu a poesia de Manoel de Barros para dar o passo que faltava: dirigir para crianças. O resultado é “Inventor de Inutilezas”, espetáculo que ocupa a Sala Maria Theresa Tápias, no Espaço Tápias, na Barra da Tijuca, entre os dias 16 e 31 de maio, com sessões aos sábados e domingos, às 17h.

Inspirada em “O Livro das Ignorãças”, a montagem acompanha a jornada de um menino que transforma vazio e tédio em descoberta. Na cena, o ator e bailarino Guilherme Soifer conduz essa travessia por meio da dança e do teatro físico — uma cadeira vira abrigo ou impulso, um livro se torna portal, e cada novo encontro amplia a relação do personagem com o mundo ao redor.

Memórias de infância que se tornaram cena

A origem do espetáculo está nas próprias lembranças de Renata. Ela cresceu usando cadeiras, camas, armários e cortinas como personagens e cenários improvisados. Anos depois, encontrou na obra de Manoel de Barros um eco direto dessas brincadeiras.

Quando me encontrei com os poemas de Manoel de Barros, a forma como ele escrevia e transformava palavras fazia meu corpo mover sem muita explicação, como se ele resgatasse memórias corporais da minha infância na fazenda.

Foi dessa associação entre lembrança, literatura e movimento que a encenação tomou forma. “Resolvi usar o corpo e um elemento que pudesse ser transformado constantemente, como eu brincava na infância e como as palavras de Manoel fazem com meu mover até hoje”, explica a diretora, que também assina a coreografia.

Uma pergunta sobre a infância de hoje

Por trás da fábula visual, há uma reflexão sobre o presente. Renata conta que o espetáculo nasceu de uma pergunta simples: as crianças ainda conseguem contemplar e imaginar para além do óbvio? A resposta veio na forma de cena.

Com tantos estímulos vindos das telas — redes sociais, inteligência artificial e games — o mundo está perdendo o poder de contemplação, que para mim é fundamental na construção de pessoas e de uma sociedade mais empática.

A montagem, porém, não rejeita a tecnologia. Incorpora projeções e até drone em cena, sempre a serviço da narrativa. “Não temos como abrir mão da tecnologia, ela também é útil. Mas não podemos esquecer os livros, a natureza, a poesia e o corpo, que é um computador incrível, como lugares de acolhimento para esse mundo corrido”, diz Renata.

Cenário, trilha e o desafio do público infantil

Dirigir para crianças pela primeira vez representou, segundo a artista, um exercício de escuta e depuração. Para ela, o público infantil exige verdade cênica, ritmo e inventividade permanentes — sem concessões e sem simplificações.

Essa busca por uma cena viva se reflete nos elementos da montagem. O cenário multifuncional é assinado por Dodô Giovanetti, e a trilha sonora original de Beto Lemos mistura instrumentos tradicionais nordestinos à música eletrônica — uma combinação que costura o universo poético de Barros ao ritmo contemporâneo da encenação.

Acessibilidade e sessões para escolas públicas

Todas as sessões contam com intérprete de Libras. Haverá apresentações com audiodescrição nos dias 17, 22, 23, 29 e 30 de maio, e atendimento especializado a pessoas com deficiência nos dias 17, 22, 24, 29 e 30 de maio. Às sextas-feiras, o projeto reserva sessões gratuitas para estudantes de escolas públicas.

O espetáculo é viabilizado pela Lei Rouanet, com patrocínio de Paineiras e AquaRio, apoio do Espaço Tápias, Angel Vianna e Restaurante Cam O’n Thai Food, e realização da Versiani Cultural e do Ministério da Cultura.


Serviço


Poesia de Manoel de Barros vira fábula dançada no Rio
Foto: Aloysio Araripe
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