Em um mercado movido por tendências rápidas e ciclos cada vez mais curtos, o produtor brasileiro Marcelo Sirotsky alcança um marco que desafia a lógica da música eletrônica global: 156 semanas consecutivas lançando uma faixa inédita por semana. Aos 65 anos, ele transforma consistência em inovação e reposiciona o papel do tempo dentro da criação artística.
Radicado em Miami, Marcelo celebra três anos ininterruptos de lançamentos dentro do projeto 156 Weeks NonStopMusic, uma proposta que vai além da produtividade. Com mais de 50 milhões de reproduções e presença em mais de 100 países, o trabalho se sustenta em uma ideia central: a música como um fluxo contínuo, em constante evolução.
Quando o tempo vira matéria criativa
Diferente de projetos convencionais, estruturados em álbuns ou ciclos promocionais, o conceito de Marcelo parte de uma lógica mais orgânica. No 156 Weeks NonStopMusic, cada faixa não é apenas um lançamento isolado, mas parte de uma construção maior, acumulativa.
A proposta se apoia na ideia de “tempo como matéria”, onde o processo criativo ganha protagonismo. A música deixa de ser apenas um produto final e passa a refletir uma jornada contínua de experimentação dentro dos diversos subgêneros da música eletrônica contemporânea.
“Meu objetivo nunca foi apenas lançar músicas, mas construir uma narrativa contínua através do tempo e da criação”
Essa abordagem dá ao projeto uma identidade rara dentro da indústria, marcada por lançamentos pontuais e estratégias voltadas à performance imediata.
Uma trajetória que atravessa gerações
A relação de Marcelo Sirotsky com a música começou ainda na adolescência, quando atuava como programador de rádio e organizava festas. Influenciado por nomes como Giorgio Moroder e pela estética da disco music, encontrou na música eletrônica um espaço de liberdade criativa.
Décadas depois, esse mesmo território se tornou o centro de sua produção artística. Desde 2019, quando passou a lançar oficialmente suas obras autorais, construiu um catálogo robusto que inclui álbum, EPs e dezenas de singles.
Hoje, o produtor soma cerca de 228 trabalhos disponíveis nas plataformas digitais, consolidando uma presença consistente em escala global.
Idade como diferencial, não limite
Em um gênero historicamente associado à juventude, a trajetória de Marcelo chama atenção também pelo recorte etário. Aos 65 anos, ele não apenas permanece ativo, como constrói uma produção relevante, conectada com a contemporaneidade e com alcance internacional.
Mais do que uma exceção, sua presença amplia o debate sobre longevidade criativa na música eletrônica. Ao sustentar um ritmo intenso de lançamentos, ele demonstra que experiência e curiosidade podem coexistir como motores de inovação.
“A experiência me deu repertório, mas o que me move continua sendo a descoberta”
Essa combinação ajuda a explicar a consistência do projeto e sua capacidade de dialogar com diferentes públicos ao redor do mundo.
Novos desdobramentos do projeto
A marca das 156 semanas não representa um ponto final, mas o início de uma nova fase. Entre os próximos passos, Marcelo prepara o lançamento de um DJ set especial reunindo as faixas produzidas ao longo desse período.
O projeto também deve ganhar formatos além do digital. Está prevista a criação de um livro, que explora o conceito de transformar o tempo em matéria, e o desenvolvimento do filme “156”, que documenta sua trajetória dentro da música eletrônica.
Outro foco está na ampliação das formas de escuta, com experiências imersivas e audições mais intimistas, além da abertura para colaborações com novos artistas e produtores.
Mais que números, uma nova lógica de carreira
Com quase 1 milhão de seguidores nas redes sociais e números expressivos nas plataformas digitais, Marcelo Sirotsky constrói um case que vai além das métricas tradicionais.
Seu projeto propõe uma revisão da própria ideia de trajetória na música eletrônica. Em vez de depender de picos de visibilidade, aposta na constância como estratégia e no tempo como elemento central da criação.
Ao transformar disciplina em linguagem artística, o produtor brasileiro não apenas acompanha a evolução do gênero — ele sugere novos caminhos possíveis para quem pensa a música como processo, e não apenas como produto.
Serviço
- Instagram e Facebook: @marcelosirotsky
- Spotify: https://open.spotify.com/artist/4MU1Cw1TNdPEhSLmVmmcqV?si=yI12ljO6QPes8El4ofUZBA

