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Quando o chão escapa: dança testa limites no Sesc Copacabana

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Um chão que não sustenta, mas provoca. “Espaço Liso” transforma a instabilidade em linguagem e coloca o corpo em estado permanente de negociação com o espaço.

O que acontece quando o chão deixa de ser certeza? Essa é a pergunta que atravessa “Espaço Liso”, espetáculo que estreia em 13 de agosto de 2026 no Sesc Copacabana. Idealizada por Camila Moura e dirigida por Carolina Cony e Renato Linhares, a montagem parte de uma superfície deslizante de 36 metros quadrados para investigar movimento, memória e risco.

Em cena, os intérpretes-criadores Camila Moura, Pedro Castella e Rafael Rocha transitam entre dança e circo para explorar um território instável. O gesto deixa de ser apenas movimento e ganha dimensão escultórica, moldado pela relação direta com o solo que escapa ao controle.

Como criar quando o chão não é mais apoio, mas um campo de incerteza?

O trabalho nasce de uma pesquisa iniciada em 2024, com quatro residências artísticas. A primeira aconteceu na Bélgica, no centro de arte Buda, em conexão com artistas ligados à companhia Not Standing. Em seguida, o projeto passou pelo programa Sesc Pulsar, ao lado de Adilso Machado, e por encontros com Rômulo Galvão e Alice Ripoll, consolidando diferentes camadas de experimentação.

Entre filosofia e experiência física

A criação dialoga com o conceito de “Espaço Liso”, dos filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari, propondo uma reflexão sobre liberdade e estruturas sociais. Ao mesmo tempo, se aproxima do texto “Peso”, de Richard Serra, que investiga a gravidade e a instabilidade material — elementos que atravessam a relação dos performers com o chão.

“Foi um processo de pesquisa de longa duração. Começamos desenvolvendo uma técnica de movimento centrada na interação com o chão deslizante”, afirma Camila Moura. Segundo a artista, a direção de Renato Linhares e Carolina Cony ampliou as possibilidades da investigação, incorporando novas camadas subjetivas ao trabalho.

Som que escorrega junto com o corpo

A trilha sonora original, assinada por Ricardo Dias Gomes, acompanha essa instabilidade. Construída a partir de relatos do processo criativo, ela combina texturas eletrônicas, música concreta e paisagens sonoras experimentais, em diálogo com referências como Éliane Radigue.

O resultado é uma experiência sensorial que desloca o espectador. Não há chão firme — nem para quem está em cena, nem para quem observa.

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