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Regina Casé estreia solo que atravessa o tempo

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Regina Casé retorna ao teatro com um solo que amplia o olhar sobre a existência humana ao conectar ciência, espiritualidade e cotidiano. “VIVA! VIDA!” estreia em 05 de junho no Teatro Sesc Ginástico, no Rio, propondo uma travessia narrativa que começa na formação do planeta e chega à vida hiperconectada dos dias atuais.

Com texto de Estêvão Ciavatta Pantoja e direção assinada por ele ao lado de Daniela Thomas, o espetáculo se constrói como uma experiência cênica que vai além do formato tradicional. Ao longo de 90 minutos, Regina conduz o público por uma linha do tempo que atravessa bilhões de anos, costurando conhecimento científico, reflexões ambientais e histórias humanas com humor e sensibilidade.

Uma jornada entre ciência e emoção

A base do espetáculo nasce de encontros e conversas entre Regina Casé, Estêvão Ciavatta e os cientistas Antônio Nobre e Fábio Scarano. A partir dessa troca, o texto foi sendo desenvolvido como uma espécie de teia que conecta diferentes saberes, transitando entre física, biologia, filosofia e experiências pessoais.

Em cena, Regina articula esses elementos com naturalidade, transformando conceitos complexos em uma narrativa acessível e envolvente. A proposta não é apenas informar, mas provocar reflexão sobre o lugar do ser humano no planeta e as urgências ambientais do presente.

“Eu acho que esse solo nasceu da minha profunda ignorância e da enorme curiosidade nesses assuntos.”

A atriz descreve o processo como um mergulho guiado pela curiosidade, em que perguntas, ideias e até digressões pessoais se transformaram em matéria dramatúrgica. O resultado é um espetáculo que equilibra leveza e profundidade, sem abrir mão do humor característico de Regina.

Experiência cênica e linguagem visual

Mais do que um monólogo, “VIVA! VIDA!” aposta em uma construção visual sofisticada para expandir a narrativa. A cenografia, criada por Daniela Thomas, utiliza painéis de LED desenvolvidos pelo estúdio Radiográfico, que interagem diretamente com a atriz e ampliam a dimensão sensorial da cena.

As imagens projetadas não funcionam apenas como pano de fundo, mas como parte ativa da dramaturgia, acompanhando a evolução da história e criando novas camadas de significado. Essa integração entre tecnologia e performance reforça a proposta de dialogar com o tempo presente.

A trilha sonora original de Amaro Freitas contribui para essa imersão, conectando o rigor técnico do jazz à ancestralidade dos ritmos nordestinos e afroculturais. O resultado é uma ambientação sonora que acompanha as transformações da narrativa e intensifica sua carga emocional.

Reflexão sobre o planeta e a vida

No centro da montagem está uma ideia fundamental: todos os seres vivos compartilham a mesma origem. A narrativa reforça a noção de que a vida na Terra está interligada desde suas primeiras formas, surgidas nos mares primitivos, até a complexidade do mundo contemporâneo.

Ao abordar temas como meio ambiente, tecnologia e ancestralidade, o espetáculo propõe uma reflexão sobre responsabilidade coletiva e pertencimento. A jornada apresentada no palco não se limita ao passado ou ao presente, mas convida o público a pensar sobre os caminhos futuros da humanidade.

Entre momentos de humor e emoção, Regina Casé conduz a plateia por uma experiência que alterna escalas — do cosmos à intimidade das relações humanas — criando uma narrativa que se mantém dinâmica e acessível ao longo de toda a apresentação.

Trajetórias que se encontram

O espetáculo também reúne nomes importantes da cena cultural brasileira. Estêvão Ciavatta Pantoja, autor e diretor, traz sua experiência em projetos audiovisuais e iniciativas ambientais, enquanto Daniela Thomas imprime sua linguagem estética marcada por densidade visual e compromisso social.

O figurino assinado por Cláudia Kopke reforça a construção da personagem em cena, enquanto a iluminação de Beto Bruel e o visagismo de Veronica Rodrigues completam a identidade visual do espetáculo.

Com uma carreira marcada por projetos que dialogam com a cultura popular e questões sociais, Regina Casé retorna ao teatro com uma proposta que sintetiza sua trajetória artística: comunicar temas complexos de forma acessível, emocional e conectada com o público.


Serviço

Regina Casé estreia solo que atravessa o tempo
Foto: Carlos Airó Nascimento
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