Uma coreografia que nasceu para cruzar fronteiras entre balé, dança urbana e música erudita retorna ao palco onde estreou, depois de representar o Brasil em três cidades mexicanas.
O Balé da Cidade de São Paulo apresenta nova temporada de Réquiem SP na Sala de Espetáculos. A obra, com criação, direção e coreografia de Alejandro Ahmed, terá a participação do Coral Paulistano e da Orquestra Sinfônica Municipal, sob regência e direção musical de Maíra Ferreira. As apresentações acontecem nos dias 15, 16, 18, 19, 21 e 22 de agosto, com ingressos a R$100.
Além da estreia no Brasil em 2025, a montagem foi apresentada pela companhia durante turnê pelo México em maio de 2026. A obra abriu o Festival El Aleph e passou pelo Centro Cultural Universitário da UNAM, na Cidade do México, e pelo Teatro Juárez, em Guanajuato.
Um corpo que atravessa linguagens
Réquiem SP propõe um diálogo entre distintas linhagens de dança, como o balé, o jumpstyle e as danças urbanas e populares. A proposta investiga as possibilidades de articulação entre corpos, contextos e manifestações culturais, destacando as dinâmicas e a singularidade de São Paulo. Nesse cenário, o movimento do elenco vai além da técnica, servindo como matéria para explorar as interações do corpo com o ambiente.
Segundo Alejandro Ahmed, a peça integra diferentes plataformas artísticas em um único ecossistema multimídia, que vai muito além da partitura de György Ligeti.
O Réquiem SP explora além da partitura de György Ligeti, se estende para três movimentos musicais: um é um interlúdio de autogestão coreográfica e de som, outro é o Réquiem de quatro movimentos e o final que tem outras duas faixas do produtor canadense Venetian Snares. Um breakcore, batidas rápidas e espaçadas, muito diferente da relação do que é o Réquiem do Ligeti, mas, ao mesmo tempo, com complexidades de composição que se correlacionam.
Responsável pela criação, direção e coreografia, Alejandro Ahmed atuou como diretor artístico do Balé da Cidade de São Paulo de julho de 2023 até maio de 2026. Reconhecido como um dos coreógrafos mais destacados da dança contemporânea no Brasil, Ahmed desenvolve uma abordagem artística que investiga as correlações entre corpos, ambientes e tecnologias, explorando os limites dos corpos e suas possibilidades de transformação.
A partitura que não dá descanso ao coral
O Réquiem, de György Ligeti, foi composto entre 1963 e 1965. A obra é uma composição para coral e orquestra que traz todas as características musicais do compositor húngaro sem deixar de lado a tradição musical de um réquiem. Teve sua estreia em 14 de março em Estocolmo e se tornou uma das mais conhecidas de Ligeti, usada na trilha sonora de 2001: Uma Odisseia no Espaço, de Stanley Kubrick.
Ligeti dedicou nove meses exclusivamente à composição da seção Kyrie, com duração de seis minutos. Nessa parte, ele explorou a polifonia mais intricada de sua carreira, utilizando vinte linhas vocais. Apesar da complexidade, o musicólogo Harald Kaufmann destaca que essa abordagem mantém conexão com a tradição da polifonia vocal clássica dos antigos mestres. Além de Ligeti, será executada uma obra do músico eletrônico canadense Venetian Snares (Aeron Funk).
Com pouco menos de meia hora, a obra é dividida em quatro movimentos: Introitus, Kyrie, Dies Irae e Lacrimosa. Segundo Maíra Ferreira, regente titular e responsável pela direção musical, é necessário um alto nível de sofisticação para executar o concerto.
Ligeti explora muito os extremos, então vai da nota aguda para a nota grave muito rapidamente. Tecnicamente, o cantor precisa ter um ótimo preparo para explorar o trato e a extensão vocal. Às vezes temos alguns pontos de descanso em uma obra. Essa não tem. Das obras que trabalhei, em quase dez anos no Theatro Municipal, nunca havíamos executado algo tão desafiador.
Serviço
- Balé da Cidade de São Paulo, Coral Paulistano e Orquestra Sinfônica Municipal
- 15/08, sábado, às 17h
- 16/08, domingo, às 17h
- 18/08, terça-feira, às 20h
- 19/08, quarta-feira, às 20h
- 21/08, sexta-feira, às 20h
- 22/08, sábado, às 17h
- Local: Sala de Espetáculos – Theatro Municipal de São Paulo
- Ingressos: R$100
- Classificação livre para todos os públicos
- Duração total: aproximadamente 70 minutos (sem intervalo)
- Alejandro Ahmed: criação, direção e coreografia
- Maíra Ferreira: direção musical e regência
- João Peralta: diretor de fotografia, edição e criação de vídeo e interlocução musical
- Karin Serafin: figurino
- Diego de los Campos: cenografia, objetos e controles físicos digitais
- Mirella Brandi: desenho de luz


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