A Casa-ateliê Tomie Ohtake reabre com exposição inédita sobre o arquiteto Ruy Ohtake — seis projetos que reinventaram o modo de morar no Brasil.
A casa que virou praça
A partir de 7 de março de 2026, o Instituto Tomie Ohtake apresenta Ruy Ohtake – Percursos do habitar, exposição que inaugura a nova fase da Casa-ateliê Tomie Ohtake, no bairro Campo Belo, em São Paulo. Com curadoria de Catalina Bergues e Sabrina Fontenele, a mostra reúne seis projetos residenciais do arquiteto realizados entre as décadas de 1960 e 2010.
O conceito central é o de casa-praça: a moradia pensada como lugar de convivência ampliada, onde as áreas comuns ganham protagonismo e os ambientes íntimos são reduzidos à sua dimensão essencial. A luz, ora pontual, ora difusa, funciona como elemento organizador do espaço, articulando jardins internos, recuos e a tensão permanente entre interior e exterior.
Seis projetos, décadas de reflexão
A exposição percorre cinco residências unifamiliares e um conjunto habitacional de grande escala. São elas: a Casa-ateliê Tomie Ohtake (1966), a Residência Chiyo Hama (1967), a Residência Nadir Zacarias (1970), a Residência Domingos Brás (1989) e a Residência Zuleika Halpern (2004). O percurso culmina no Condomínio Residencial Heliópolis (2008/2009), popularmente conhecido como “Redondinhos”.
Maquetes de todas as edificações, fotografias históricas e registros recentes, além de desenhos técnicos e croquis, compõem o trajeto expositivo. O visitante acompanha tanto os processos de concepção quanto as transformações desses espaços ao longo do tempo.
Vozes de quem morou — e mora
Um conjunto de vídeos com depoimentos dos moradores aprofunda a dimensão vivencial da mostra. Os relatos revelam como essas casas se converteram em ambientes de sociabilidade, memória e pertencimento. No caso de Heliópolis, lideranças comunitárias também aparecem em tela, situando o habitar como experiência coletiva e urbana.
As residências se configuram como lugares voltados ao encontro: as áreas comuns são ampliadas e valorizadas, enquanto os ambientes íntimos são reduzidos à sua dimensão essencial. A luz desempenha o papel de regente da organização espacial: ora pontual, ora difusa, ela se articula a jardins internos e recuos, orientando o percurso doméstico e tensionando os limites entre interior e exterior. Catalina Bergues e Sabrina Fontenele, curadoras
Heliópolis e a arquitetura como inclusão
O Condomínio Residencial Heliópolis explicita como os princípios de Ruy Ohtake atravessam também a produção habitacional de maior escala. O arquiteto trabalhou em parceria com lideranças comunitárias na implementação de equipamentos públicos, como o CEU Heliópolis e os próprios “Redondinhos”. Para Ohtake, espaços públicos de qualidade eram instrumentos concretos de inclusão social e transformação urbana.
A Casa-ateliê entra em nova fase
Projetada pelo próprio Ruy Ohtake e construída em etapas, a Casa-ateliê Tomie Ohtake foi, por mais de quatro décadas, moradia, local de trabalho e ponto de encontro da artista Tomie Ohtake. Reconhecida como patrimônio da cidade de São Paulo e premiada pelo Instituto de Arquitetos do Brasil em 1971, a edificação passa agora a integrar oficialmente a programação cultural do Instituto como espaço dedicado à arte, à arquitetura e ao design.
A curadoria permanente da Casa-ateliê ficará a cargo de Sabrina Fontenele. Além de exposições, a programação prevê ações públicas como concertos musicais, visitas mediadas, oficinas e pesquisas transdisciplinares — reafirmando o espaço como lugar de memória ativa e invenção artística.
Serviço
Ruy Ohtake – Percursos do habitar
Local: Casa-ateliê Tomie Ohtake — Rua Antônio de Macedo Soares, 1800 – Campo Belo – São Paulo – SP
Período: 7 de março a 31 de maio de 2026
Horário: quinta a domingo, das 10h às 17h
Curadoria: Catalina Bergues e Sabrina Fontenele
Realização: Instituto Tomie Ohtake
Ingresso: R$ 50,00
Meia-entrada: estudantes, pessoas com 60 anos ou mais e professores (mediante apresentação de comprovante); clientes Nubank (mediante apresentação do cartão).
Gratuidade: Amigos Tomie (carteirinha + documento com foto); clientes Nubank Ultravioleta; pessoas com deficiência (com direito a um acompanhante); crianças até 10 anos (documento de identidade); portadores de cartão ICOM. As gratuidades devem ser solicitadas na plataforma de ingressos.
Foto: Divulgação






