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SPCD estreia obra inédita e leva programa potente ao Sérgio Cardoso

SPCD estreia obra inédita e leva programa potente ao Sérgio Cardoso

A São Paulo Companhia de Dança (SPCD) retorna ao palco do Teatro Sérgio Cardoso com uma proposta que ultrapassa o espetáculo e convida o público a um estado de percepção ampliado. Entre os dias 11 e 14 de junho, a companhia apresenta a segunda semana da temporada “Como Quem Sonha”, reunindo três obras que dialogam com imaginação, memória e transformação — incluindo a estreia de O Som da Chuva, de Joëlle Bouvier.

Com direção artística de Inês Bogéa, a temporada nasce inspirada em um verso da escritora Hilda Hilst e propõe uma travessia sensível pelo corpo que sonha, sente e resiste. No repertório, o público também poderá assistir a Indigo Rose, de Jiří Kylián, e Agora, de Cassi Abranches, compondo um programa que equilibra repertório internacional e produção brasileira contemporânea.

Uma estreia que nasce da emoção e da natureza

Após o sucesso de Odisseia, a coreógrafa francesa Joëlle Bouvier retorna à SPCD com O Som da Chuva, sua segunda criação para a companhia. A obra constrói um percurso poético que investiga estados emocionais ligados ao amor, a partir de figuras femininas atravessadas por desejo, memória e transformação.

Inspirada pela potência dos bailarinos e pela força da natureza brasileira, Bouvier cria uma sequência de quadros que transitam entre delicadeza e intensidade. Elementos simples em cena — como balões, tecidos, objetos cotidianos e um antigo gramofone — ajudam a compor uma atmosfera onírica que sustenta a narrativa não linear da obra.

“Os bailarinos da São Paulo Companhia de Dança me inspiraram profundamente. Existe neles uma potência física e humana muito rara, e foi a partir dessa presença que comecei a construir personagens e situações que transitam entre delicadeza, intensidade e imaginação”.

A trilha sonora amplia essa experiência sensorial ao reunir composições de Alfred Schnittke, Johann Sebastian Bach, Gija Kancheli, Francisco Canaro, Juan d’Arienzo, Luiz Bonfá, Antonio Maria e Lucas Warin, além de paisagens sonoras que evocam tempestade, vento e chuva. O resultado é um ambiente que alterna melancolia, humor e densidade dramática.

Os figurinos assinados por Fábio Namatame, combinados à iluminação de Caetano Vilela, reforçam a dimensão poética da obra, criando imagens que dialogam com sonho, memória e imaginação.

Clássicos contemporâneos no repertório

Ao lado da estreia, o programa traz Indigo Rose, de Jiří Kylián, uma peça que investiga a transição da juventude e as relações humanas por meio de uma movimentação virtuosa e ao mesmo tempo lírica. A obra explora a busca pela perfeição — vista como algo sempre inalcançável — e utiliza elementos visuais como uma cortina de seda branca e projeções que transformam a percepção do público.

Criada originalmente para celebrar os 20 anos do Netherlands Dance Theater II, a coreografia marca a presença consistente de Kylián no repertório da SPCD, que já conta com Sechs Tänze e Petite Mort.

Agora, de Cassi Abranches, propõe uma investigação sobre o tempo em suas múltiplas dimensões — musical, cronológica e sensorial. A coreógrafa constrói os movimentos a partir da individualidade de cada bailarino, guiada pela trilha original de Sebastian Piracés, que mistura percussão afro-brasileira, rock contemporâneo e canto.

A obra, premiada pela APCA como Melhor Coreografia em 2019, reafirma a força da criação brasileira dentro da companhia e amplia o diálogo entre tradição e experimentação.

Uma temporada que amplia o acesso

Além das apresentações, a SPCD mantém uma programação paralela voltada à formação de público e à democratização do acesso à dança. Antes de cada sessão, a diretora Inês Bogéa conduz palestras gratuitas que apresentam os bastidores e processos criativos das obras.

Com duração de cerca de 30 minutos, os encontros contam com intérpretes de libras e acontecem 45 minutos antes dos espetáculos. A temporada também oferece recursos de acessibilidade, como audiodescrição, ampliando a experiência para diferentes públicos.

Realizada pela Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, a companhia reafirma seu papel como um dos principais corpos artísticos do país, reunindo repertório internacional, produção inédita e ações educativas em uma mesma programação.


Serviço

SPCD estreia obra inédita e leva programa potente ao Sérgio Cardoso
Foto: Iari Davies
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