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Teatro da periferia sul mergulha nas águas da Billings

Teatro da periferia sul mergulha nas águas da Billings

O Núcleo Pele leva ao palco da Galeria Olido histórias do Grajaú e a relação mística dos moradores com a represa Billings, que completa um século.

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O espetáculo “Na Beira da Imensidão – Histórias Sul-Realistas” chega à Galeria Olido, no centro de São Paulo, com apresentações nos dias 21, 22 e 24 de abril. A obra do Núcleo Pele mergulha no cotidiano das periferias do extremo sul da cidade e na relação afetiva, ambiental e espiritual dos moradores com as águas da represa Billings.

O encanto que mora às margens

Com direção de Débora Marçal e dramaturgia de Rafael Cristiano, a peça inspira-se no cotidiano do Grajaú, bairro do extremo sul da capital paulistana. A encenação dialoga com cosmogonias afro-brasileiras e indígenas, construindo uma narrativa que atravessa memória, ancestralidade e vida comunitária.

Fico pensando em como representar, no hoje, aquela parte do cotidiano de pessoas que moram às margens da sociedade que não é vista em uma olhada superficial. É como propor um mergulho na vida periférica cotidiana para encontrar o que neste espetáculo estamos chamando de encanto.

Rafael Cristiano, dramaturgo

A dramaturgia é formada por fragmentos de encontros humanos que habitam o imaginário do bairro. Estão em cena o amigo que incentiva outro a parar de beber e ir dançar, a solidão de um homem encantado pelas águas, o espelho de Maria da Glória em seu encontro consigo mesma e o cotidiano afetivo e fofoqueiro das ruas. Por meio dessas histórias, a obra sugere que o presente é sempre atravessado por memórias que continuam ecoando no agora.

Linguagem entre o real e o encantado

A linguagem cênica combina realismo cotidiano com elementos simbólicos ligados às espiritualidades das águas. A encenação dialoga com o teatro narrativo, a musicalidade e a oralidade popular, revelando camadas invisíveis da vida periférica. O resultado é uma atmosfera suspensa entre o real e o encantado.

O processo criativo contou com depoimentos de moradores da região da Billings, como o pescador Reinaldo, da Prainha (Grajaú), e as colaboradoras Luciana Beco e Laís Guimarães, que atuam em projetos sociais ligados à relação das comunidades com as águas.

Pesquisa, território e um século da Billings

O trabalho integra a pesquisa “Investigação Coletiva de um Teatro Periférico e Marginal”, desenvolvida pelo Núcleo Pele com oficinas abertas e rodas de conversa com artistas e pesquisadoras. A temporada faz parte do Programa de Valorização de Iniciativas Culturais (VAI II – edição 22, 2025/2026).

Após estrear em 2024 no Cantinho do Céu — território onde o coletivo nasceu —, o espetáculo amplia agora sua circulação pela cidade. Apresentar a obra neste momento também é uma forma de celebrar e refletir sobre os cem anos da represa Billings, o maior reservatório de água em área urbana do mundo, e sua importância afetiva e ambiental para as comunidades do entorno.


Serviço

Teatro da periferia sul mergulha nas águas da Billings
Foto: Divulgação
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