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Teatro Dulcina reúne dança, teatro e música em encontro imersivo

Teatro Dulcina reúne dança, teatro e música em encontro imersivo

O Teatro Dulcina, no Centro do Rio, recebe nos dias 6 e 7 de junho o Tríptico – Encontro de Cias. de Dança Contemporânea, iniciativa que transforma o palco em um espaço de experimentação artística e diálogo entre linguagens. Reunindo dois espetáculos que atravessam dança, teatro, percussão e videografia, o projeto propõe uma experiência sensorial que vai além da cena tradicional.

Com sessões duplas no sábado e domingo, a programação apresenta Sob a Pele, do Núcleo de Dança para Atores (NDA), e Odara Ô, do Coletivo Muanes Dançateatro. Idealizado por Roberto Lima e realizado pela Produtora Visuallyze, o encontro integra o Programa Funarte Aberta e aposta na valorização da produção contemporânea carioca.

Artes integradas em cena

A proposta do Tríptico parte da fusão entre diferentes linguagens para criar uma experiência imersiva. Em cena, intérpretes, músicos e artistas visuais constroem narrativas que combinam movimento, som e imagem, ampliando os limites da dança contemporânea.

Segundo a produção, as obras “integram dança, teatro, performance, percussão e recursos audiovisuais”, oferecendo ao público uma vivência plural e sensível. Essa abordagem não apenas diversifica a experiência estética, como também reforça o caráter experimental do encontro.

Duas obras, diferentes investigações

Em Sob a Pele, o Núcleo de Dança para Atores mergulha nas camadas mais profundas da experiência humana. A montagem de dança-teatro investiga emoções, memórias e instintos por meio da expressividade corporal, criando uma atmosfera que aposta na intensidade sensorial.

Com direção de Roberto Lima e coreografia de Mônica Barbosa, o espetáculo reúne nove intérpretes e investe na construção de “atmosferas sensíveis”, combinando iluminação, figurinos e videografia para potencializar a narrativa cênica.

Odara Ô, do Coletivo Muanes Dançateatro, parte de outra investigação: o universo feminino como território de ancestralidade, resistência e reinvenção. A montagem articula dança contemporânea com musicalidade afro-brasileira e percussão ao vivo, criando uma cena marcada por elementos ritualísticos e poéticos.

“Articular dança contemporânea, musicalidade afro-brasileira e percussão ao vivo em uma construção cênica ritualística e poética”

A diretora Denise Zenicola destaca que a obra busca conectar corporeidade, ancestralidade e presença cênica, ampliando o alcance simbólico da performance. A presença de projeções visuais reforça essa dimensão imersiva.

Encontro que vai além do palco

Mais do que apresentar espetáculos, o Tríptico se estrutura como um espaço de troca. A proposta inclui a aproximação entre artistas, pesquisadores, estudantes e público, fortalecendo o diálogo em torno da dança contemporânea.

“Mais do que uma mostra de espetáculos, o Tríptico estabelece um ambiente de reunião e diálogo entre artistas, pesquisadores, estudantes e público”, afirma o produtor executivo Nando Andrade. A iniciativa busca ampliar o acesso à linguagem e incentivar a circulação de obras independentes.

Ao ocupar um espaço histórico como o Teatro Dulcina, o projeto também reforça a importância da utilização de equipamentos públicos para a difusão cultural, aproximando diferentes trajetórias da cena contemporânea brasileira.

Coletivos com trajetórias consolidadas

O Núcleo de Dança para Atores (NDA) acumula 25 anos de pesquisa na interseção entre dança, teatro e expressão corporal. Formado por artistas oriundos da Escola de Teatro Martins Penna e da UNIRIO, o grupo construiu uma trajetória marcada por processos colaborativos e formação continuada.

Já o Coletivo Muanes Dançateatro direciona suas investigações para temas como identidade, corporeidade e ancestralidade, com foco na presença feminina em cena. A companhia utiliza referências das culturas afro-brasileiras para desenvolver suas criações.

Ao reunir esses dois coletivos, o Tríptico evidencia a diversidade de abordagens dentro da dança contemporânea carioca, ao mesmo tempo em que promove o intercâmbio entre diferentes modos de criação.

Fortalecimento da produção independente

O projeto surge como uma resposta à necessidade de ampliar espaços de visibilidade para produções autorais. Ao incentivar a circulação de espetáculos e o encontro entre artistas, o Tríptico contribui para o fortalecimento da cena independente no Rio de Janeiro.

Integrando a programação do Programa Funarte Aberta, a iniciativa também se alinha à proposta de democratização do acesso às artes, promovendo atividades com ingressos a preços populares e ocupando um equipamento cultural de relevância histórica.

Combinando experimentação estética, diversidade de linguagens e abertura ao público, o encontro se consolida como um ponto de convergência para a dança contemporânea na cidade.


Serviço

Teatro Dulcina reúne dança, teatro e música em encontro imersivo
Foto: Divulgação
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