Com pigmentos extraídos de solos brasileiros, André Hullk abre “Corpo Território” no Beco do Batman. Curadoria de Marcelo Rosenbaum. Entrada gratuita.
Território que se carrega no corpo
A Galeria Alma da Rua, no coração do Beco do Batman, em Vila Madalena, abre no dia 17 de abril a exposição individual “Corpo Território”, do artista visual André Hullk. A mostra reúne dezenas de obras inéditas e conta com curadoria de Marcelo Rosenbaum.
O conceito central parte de uma pergunta silenciosa: o que acontece quando uma pessoa carrega sua origem para dentro de contextos que tentam apagá-la? Hullk, nascido em Manaus e radicado em São Paulo desde 2018, responde com tinta, terra e gestualidade.
A técnica: terra que vira tinta
Em uma das inovações mais marcantes da mostra, André Hullk transforma terra coletada em diferentes regiões do Brasil em pigmentos naturais. Solos das terras indígenas Guarani, da Ilha de Marajó e de cidades mineiras, entre outros, produzem tonalidades únicas e irreproduzíveis.
Em diversas obras, essa terra pigmentada cobre o fundo da tela. Sobre ela, figuras humanas emergem em tinta acrílica aplicada com espátula, criando um diálogo entre matéria ancestral e gesto contemporâneo. A textura resultante é densa, quase tátil.
Floresta como presença, não como paisagem
Sob a curadoria de Marcelo Rosenbaum, as obras partem de vivências amazônicas para revelar a floresta não como cenário distante, mas como presença viva. Ela resiste, se adapta e continua em movimento — assim como os corpos representados nas telas.
Entre rio, concreto e memória, as imagens tensionam a ideia de pertencimento, mostrando que a raiz não é fixa, mas ao contrário, ela caminha, se movimenta. As obras se conectam por uma narrativa comum: a de que o território não é apenas um lugar físico, mas algo que se carrega, se planta e se transforma.
A obra em destaque da exposição é “Território nas Costas” (120 x 80 cm, técnica mista sobre tela). Nela, uma figura indígena carrega junto ao corpo aquilo que não se abandona. Entre estruturas urbanas e marcas do território, a pintura revela o peso e a permanência da origem mesmo em contextos de deslocamento.
“A raiz, aqui, não está no chão, está no corpo”, finaliza André Hullk.
André Hullk: arte como resistência
Arte-educador, grafiteiro e artista visual, André Hullk é formado em Design Gráfico e atua desde 2009 com pintura, grafite e ilustração. Sua produção dialoga com vivências amazônicas, raízes indígenas e a cultura urbana contemporânea. Em São Paulo, além da produção artística, desenvolve oficinas e processos formativos que articulam arte urbana, educação e cultura ancestral.
Galeria Alma da Rua
Fundada em 2009 pelo colecionador Tito Bertolucci como Alma do Mar, a galeria passou a se chamar Alma da Rua em 2015. Focada em grafite e pichação, é considerada um dos principais centros de arte urbana do Brasil, fomentando reflexão, formação e produção cultural.
Serviço
- Exposição: Corpo Território — André Hullk
- Abertura: 17 de abril de 2026, às 14h
- Período: 17 de abril a 18 de maio de 2026
- Local: Galeria Alma da Rua — Rua Medeiros de Albuquerque, 188, Vila Madalena, São Paulo (Beco do Batman)
- Visitação: Todos os dias, das 10h às 18h
- Entrada: Gratuita
- Curadoria: Marcelo Rosenbaum
