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Torres García 150 anos chega ao CCBB Brasília com arte negra

A mostra gratuita no CCBB Brasília dialoga entre o universalismo de Torres García, ancestralidade afro-brasileira e a modernidade da capital até 21 de junho.

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Arte uruguaia em diálogo com Brasília

A Mostra Joaquín Torres García – 150 anos está em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Brasília (CCBB Brasília) e propõe um encontro singular entre a obra do artista uruguaio e a produção de nomes da arte moderna e contemporânea. Em Brasília, o recorte da exposição é especialmente potente: as relações entre arte, cidade e espaço público ganham o centro do debate.

Selecionada no Edital CCBB 2023-2025 e viabilizada pela Lei Rouanet, a mostra é patrocinada pela BB Asset e organizada pela Cy Museum, empresa especializada em projetos expositivos nacionais e internacionais, vencedora do Prêmio APCA 2023 pela exposição de Marc Chagall.

Josafá Neves e o resgate de Solano Trindade

Entre os artistas brasilienses presentes na exposição, destaca-se o artista plástico autodidata Josafá Neves, autor da série Diáspora. Com referências à cultura afro-brasileira e à ancestralidade negra, sua obra resgata o legado do recifense Solano Trindade, poeta de vanguarda, escritor e pintor considerado uma referência fundamental da cultura negra no Brasil.

Segundo o curador Saulo di Tarso, Solano Trindade muitas vezes ocupou um lugar secundário nas artes, apesar de sua força criativa. Sua relevância é reafirmada na mostra pelo olhar de Josafá Neves, que também evidencia o papel de Solano na consolidação de Embu das Artes, em São Paulo, como polo artístico e cultural.

Resgatar a presença de Solano neste contexto é reconhecer uma trajetória que, por muito tempo, foi colocada à margem, apesar de sua força e contribuição. Ele não apenas produziu arte, mas ajudou a estruturar espaços e dar visibilidade a uma identidade cultural que hoje é incontornável.

Saulo di Tarso, curador da mostra

Vinholes e a poesia concreta em Brasília

Luiz Carlos Lessa Vinholes, gaúcho de origem mas considerado brasiliense por sua trajetória na capital, também integra a exposição. Diplomata e figura central na difusão da poesia concreta no Brasil, ele defendeu a inclusão de autores fora do eixo Rio-São Paulo. A mostra o homenageia trazendo ao diálogo com Torres García a obra cinco poemas geométricos, que entrelaça linguagens e destaca os aspectos da geometria aplicados à poesia.

Modernidade e ancestralidade face a face

Brasília nasce de um projeto urbanístico planejado nos anos 1950, essencialmente moderno. O universalismo construtivo de Torres García propõe outra perspectiva: as matrizes ancestrais africanas produzem uma plástica universal, dos signos às padronagens, com o uso de materiais simples como madeira e cerâmica, criando culturas que não dependem da urbanização formal.

A exposição coloca essas duas visões em diálogo direto, articulando os eixos modernidade e africanidade. A chamada “África de Torres García” contrasta e se complementa com a condição de capital moderna, sugerindo que a experiência urbana também se constrói por dimensões simbólicas, culturais e coletivas.

Acesso e transporte gratuito

A ação Vem pro CCBB disponibiliza uma van gratuita de quinta-feira a domingo, partindo da Biblioteca Nacional em direção ao CCBB Brasília. Os horários de saída da Biblioteca Nacional são às 13h, 14h, 15h, 16h, 17h, 18h, 19h e 20h. O retorno ocorre às 13h30, 14h30, 15h30, 16h30, 17h30, 18h30, 19h30, 20h30 e 21h30. O ingresso garante lugar na van, mas sua ausência não impede a utilização, sujeita à lotação.


Serviço

Torres García 150 anos chega ao CCBB Brasília com arte negra
Foto: Divulgação
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