Ícone do site Aurora Cultural

TransAr ocupa o CCSP com arte e vivências trans

transar ocupa o ccsp com arte e vivencias trans featured

O CCSP recebe o TransAr, evento que transforma literatura, cinema e música em ferramentas de reflexão sobre identidade de gênero e experiências trans. A programação gratuita reúne nomes como Amara Moira, Leona Jhovs e Marina Mathey em uma noite que articula arte e debate público.

Marcado para quinta-feira, 11 de junho, das 18h às 22h, na Sala Jardel Filho, o encontro propõe um percurso por diferentes linguagens artísticas para discutir representação, afetos e vivências trans. A iniciativa integra o projeto Ópera Urbe – Política, Ética e Estética no Terceiro Milênio, desenvolvido pelo Coletivo Ópera Urbe.

Literatura abre a programação

A primeira atividade da noite é a leitura de trechos de Necas, romance de estreia de Amara Moira. Escrito na chamada “língua das bichas”, o livro constrói uma narrativa marcada pela oralidade e pelo uso político da linguagem.

A obra acompanha o reencontro entre uma travesti e um antigo amor, abordando temas como prostituição, literatura e sobrevivência. Ao revisitar o cânone literário a partir de perspectivas marginais, o texto propõe uma releitura crítica das estruturas tradicionais da narrativa.

Amara Moira, que também realiza a leitura, é escritora, travesti e doutora em Letras pela Unicamp. Sua produção se debruça sobre experiências marginalizadas e articula questões ligadas à identidade e à comunidade LGBTQIAPN+.

Cinema e debate sobre identidade

Na sequência, o público acompanha a exibição do curta Translaçados, que aborda a trajetória de uma família diante da construção da identidade de gênero de uma criança. O filme explora dimensões afetivas e sociais envolvidas nesse processo.

A narrativa também evidencia os impactos dos estigmas sociais e os desafios enfrentados no reconhecimento das identidades trans desde a infância. Após a sessão, a diretora Leona Jhovs participa de uma conversa com o público.

Leona Jhovs é atriz, diretora e ativista dos direitos trans. Entre seus trabalhos estão a série Chuva Negra, do Canal Brasil, o musical Brenda Lee e o Palácio das Princesas e produções como Modelo Vivo, Modelo Morto (2020), Ménage (2020) e Eu Vou Ter Saudades de Você (2026).

Show encerra com música e reflexão

Encerrando a programação, Marina Mathey apresenta o espetáculo Uma Ilusão Deve Morrer, acompanhada ao piano por Rodrigo Zanettini. A performance reúne música, poesia e reflexões sobre o fim de ilusões amorosas, sociais e subjetivas.

Inspirado no verso da canção Coração Vulgar, de Paulinho da Viola, o show percorre diferentes momentos da trajetória da artista, incluindo versões de faixas do álbum Boneca Pau Brasil e canções que marcam seus nove anos de carreira.

Marina Mathey atua como atriz, cantora e diretora, com trabalhos que transitam entre teatro musical, performance e audiovisual. Foi vencedora do Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Atriz Coadjuvante por Brenda Lee e o Palácio das Princesas, tornando-se a primeira travesti a conquistar o reconhecimento na categoria.

Projeto prevê novos encontros

O TransAr faz parte de um processo criativo mais amplo conduzido pelo Coletivo Ópera Urbe, que culminará no espetáculo Cardíaco Cardinal, previsto para o segundo semestre. A proposta envolve uma série de happenings que acompanham o desenvolvimento da obra.

A coordenação geral é de Carlos Zimbher e Vi Silva, com direção artística de Marcos Damigo. Um segundo encontro já está programado para o dia 19 de junho, com o tema Amar [também] é, cuja programação ainda será divulgada.


Serviço

TransAr ocupa o CCSP com arte e vivências trans
Foto: Divulgação
Sair da versão mobile