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Trupe Benkady celebra 15 anos com dança que faz memória resistir

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A Trupe Benkady ocupa espaços públicos de São Paulo com Berimbaiaço, espetáculo gratuito que transforma o corpo negro em território de memória e resistência.

Quinze anos de pesquisa, criação e presença. É com esse acúmulo que a Trupe Benkady chega a diferentes territórios de São Paulo trazendo Berimbaiaço, espetáculo que celebra a trajetória do grupo e reafirma a dança como linguagem viva de ancestralidade e reexistência negra. As apresentações são gratuitas e se estendem até o dia 1º de junho de 2026.

A obra nasce de uma investigação aprofundada sobre a musicalidade afro-brasileira, conduzida pelo diretor musical Hiles Moraes. Para ele, o corpo é território de memória — não um arquivo estático, mas uma força que atravessa o tempo e se manifesta no presente. É essa premissa que move cada gesto em cena.

Um corpo que lembra o que tentaram apagar

Berimbaiaço atravessa temas como diáspora, pertencimento, identidade e formas coletivas de existência. A pergunta central que percorre a obra é provocadora: como o corpo preserva histórias que a história oficial silenciou? A resposta não vem em palavras — vem pelo gesto, pelo ritmo, pela presença.

A linguagem cênica é híbrida. Referências da dança afro-brasileira se entrelaçam com danças tradicionais africanas e elementos contemporâneos. A musicalidade orgânica e a corporeidade ritualística constroem um espaço simbólico onde o poético, o sagrado e o político se encontram sem hierarquia.

Mais do que um espetáculo para ser assistido, a proposta é criar uma experiência sensorial e mitológica — um chamado à escuta do corpo e à memória que dança.

Criação coletiva como método e manifesto

A direção geral e artística é de Flávia Mazal, em processo colaborativo que envolveu o elenco em trocas, improvisações e vivências compartilhadas. Mais do que construir uma obra, o percurso fortaleceu a identidade da companhia e reafirmou seu lugar na produção independente de dança no Brasil.

O projeto integra a 38ª edição do Programa Municipal de Fomento à Dança para a Cidade de São Paulo, reforçando o compromisso institucional com a continuidade de pesquisas em dança contemporânea e com grupos que atuam fora dos circuitos comerciais.

Ocupar territórios é também um ato político

Em um cenário onde narrativas negras ainda enfrentam apagamentos sistemáticos, a circulação de Berimbaiaço vai além da programação cultural. Ao passar por CEUs, centros culturais e espaços do Centro Histórico, o espetáculo reconhece o corpo negro como produtor de conhecimento, estética e memória — e leva essa afirmação para onde o público já vive.

Com classificação livre e entrada franca, o espetáculo dialoga com públicos diversos. Pessoas negras e periféricas são interpeladas diretamente pela obra, mas a experiência se abre a qualquer pessoa disposta a vivenciar um atravessamento sensível e potente.


Serviço


Trupe Benkady celebra 15 anos com dança que faz memória resistir
Foto: Divulgação
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