Trinta anos de parceria ganham forma em imagens que recusam explicação direta e transformam pintura em experiência sensível e instável.
A relação entre Vânia Mignone e a Casa Triângulo atravessa três décadas e agora se condensa em “Sem Palavras”, exposição que abre em 8 de agosto. A mostra reúne 17 pinturas inéditas em diferentes formatos e reafirma um percurso que consolidou um vocabulário visual próprio dentro da pintura brasileira contemporânea.
Nas obras, a artista organiza fragmentos reconhecíveis — árvores, estradas, pássaros, figuras humanas, palavras — sem permitir que se fechem em narrativa. Cada tela opera como um campo de tensão, onde o cotidiano e o estranho coexistem sem hierarquia.
As palavras não explicam o que vemos; elas alteram o modo como vemos.
Quando a imagem deixa de descrever
Há um deslocamento constante no trabalho de Mignone. Suas cenas têm algo de flagrante, mas também de instabilidade, como lembranças ainda em formação. O que poderia ser apenas registro se transforma em outra coisa: uma zona ambígua onde afeto e ameaça dividem espaço.
Expressões como “NOITE”, “SOLIDÃO”, “UM PERIGO SEMPRE” ou “O ABISMO” surgem como parte da imagem, não como legenda. Funcionam como matéria emocional, reorganizando a leitura do que está pintado e criando camadas de interpretação.
Materialidade que prende o olhar
O uso de MDF e colagem reforça a densidade física das obras. Cada pintura parece compacta, quase encapsulada, como se guardasse uma cena interior. Não há transparência imediata.
Ver os trabalhos exige permanência. Mais do que decifrar, o espectador é levado a entrar na atmosfera construída pela artista, onde o visível nunca se esgota no que mostra.
Trajetória entre instituições e coleções
Nascida em 1967, em Campinas, Vânia Mignone construiu uma trajetória que passa por instituições como o Instituto Tomie Ohtake, o Museu de Arte Contemporânea da USP e o SESC. Participou também da 33ª Bienal de São Paulo e de exposições em espaços como o Museo Reina Sofía, em Madrid.
Suas obras integram coleções como Inhotim, MAM-SP, Pinacoteca de São Paulo e MAC-USP, entre outras, consolidando sua presença no circuito institucional e colecionista.
Galeria e continuidade
Fundada em 1988 por Ricardo Trevisan, a Casa Triângulo mantém um programa voltado tanto a artistas estabelecidos quanto a novos nomes. Desde 2016, ocupa uma sede nos Jardins, em São Paulo, com projeto do Metro Arquitetos Associados.
O edifício, marcado por volumes translúcidos e opacos, amplia a relação entre interior e exterior, criando um espaço que dialoga diretamente com a cidade — uma característica que acompanha a proposta experimental da galeria.
Serviço
- Vânia Mignone – Sem Palavras
- Abertura: 08 de agosto das 11h às 15h
- Período da exposição: de 11 de agosto a 19 de setembro de 2026
- Local: Casa Triângulo
- Endereço: Rua Estados Unidos 1324, Jardins, São Paulo
- Horário: terça a sexta das 10h às 19h; sábado das 10h às 17h
- Site: www.casatriangulo.com
- E-mail: info@casatriangulo.com
- Telefone: 11 3167-5621
