A montagem autoral do artista circense Wilson Guilherme une circo contemporâneo, dança e música para provocar reflexões profundas sobre pertencimento, afeto e masculinidades negras nas periferias paulistas.
O espetáculo “Soturno, corpo em travessia”, concebido e atuado por Wilson Guilherme, entra na reta final de sua temporada de circulação gratuita pela capital paulista. A obra integra o projeto NZILA e foi contemplada pela 10ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Circo da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa de São Paulo.
A vivência do artista como pessoa preta e gay na periferia paulistana ancora a dramaturgia, questionando os mecanismos de defesa e as expectativas sociais impostas a corpos negros masculinos.
Com duração de 30 minutos, a narrativa parte de uma sensação de ausência e de um vazio físico e simbólico para mergulhar em questões de vulnerabilidade e intimidade. A trajetória pessoal do artista, enquanto homem negro e gay nascido e criado na periferia, serve como esteio para questionar as imposições sociais e as barreiras emocionais atribuídas aos corpos negros masculinos no cotidiano.

Linguagens integradas e reinterpretação dos equipamentos circenses
Em cena, os elementos do circo tradicional ganham novos sentidos ao interagir com aparelhos não convencionais, movimentos de dança contemporânea e uma trilha sonora original. Em vez de servirem apenas à execução acrobática puramente técnica, os equipamentos passam a compor a narrativa física, alternando momentos de alta tensão, precisão estética e delicadeza.
A direção do espetáculo é assinada por Ronaldo Aguiar, com direção musical de Melvin Santana, direção de movimento de Verônica Santos e preparação corporal conduzida por Hélder Vilela e Pedro Vinicius.
Formação na Zona Norte e atuação nos picadeiros
A caminhada de Wilson Guilherme nas artes começou em projetos sociais localizados na Zona Norte de São Paulo, com passagens pelo Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e pela Fábrica de Cultura Vila Nova Cachoeirinha. Sua bagagem artística articula referências do teatro, da dança e do circo.
Atualmente, o artista integra o elenco fixo do espetáculo “Prot{agô}nistas – O Movimento Negro no Picadeiro”. Além disso, participou da montagem “ERANKO”, produzida pelo Circo de Ébanos, e atuou em trabalhos desenvolvidos pela Cia. Resto D’Ontê.
Serviço
- 31 de outubro (sábado), às 15h30 – Mundo do Circo (Avenida Cruzeiro do Sul, 2630 – Carandiru, São Paulo) – Com intérprete de Libras
- 1º de novembro (domingo), às 15h30 – Mundo do Circo (Avenida Cruzeiro do Sul, 2630 – Carandiru, São Paulo) – Com intérprete de Libras
- 4 de novembro (quarta-feira), às 19h30 – Circo Caju (Rua Lavradio, 404 – Barra Funda, São Paulo – SP)
- Entrada: Gratuita