Surpreso e emocionado, o gravurista ZéCésar foi o homenageado da FARGO 2026, reconhecendo 50 anos de arte e 38 de ensino que moldaram gerações em Goiás.
Na noite desta quarta-feira (13/5), a abertura da 8ª edição da FARGO – Feira de Arte Goiás reservou seu momento mais simbólico para um artista que passou décadas ensinando sem jamais reivindicar protagonismo. José César Teatini de Souza Clímaco, o ZéCésar, foi anunciado como o homenageado da edição em cerimônia realizada no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Goiânia.
Professor, gravurista e músico experimental, ZéCésar construiu uma trajetória que se confunde com a própria história da gravura em Goiás. Por 38 anos, dedicou-se ao ensino na Faculdade de Artes Visuais da Universidade Federal de Goiás (UFG), onde metal e madeira ganharam vida pelas suas mãos — e onde centenas de estudantes encontraram não apenas técnica, mas uma postura diante da arte.
Uma surpresa de meio século
O próprio homenageado não esperava pela distinção. “Me senti muito honrado, porque para mim foi surpresa. Trabalho com artes há 50 anos, fui professor a vida inteira, 38 anos dedicados ao ensino da gravura”, revelou ZéCésar. Mesmo com a modéstia característica, ele não esquivou da dimensão do que construiu: “Disseram que eu tenho uma história muito importante, e não posso dizer que não tenho, porque foi tudo dedicado à gravura.”
Merecendo ou não merecendo, fui homenageado e me sinto honrado por isso.
ZéCésar, gravurista e professor da UFG
Para Wanessa Cruz, diretora da FARGO e sócia da Casa Arte Plena, a escolha carrega um significado coletivo. “Homenagear o ZéCésar é reconhecer alguém que dedicou a vida a construir o outro. Ele formou artistas que hoje ocupam galerias em São Paulo, no Rio, no exterior, e fez isso com uma humildade que é, em si mesma, uma lição”, afirma. “Para a FARGO, que nasceu com o propósito de valorizar a produção e os criadores deste território, tê-lo como homenageado desta edição é um gesto de gratidão de toda a cena artística goiana.”
Um artista sem fronteiras entre linguagens
A trajetória de ZéCésar não se encerra na gravura. Como músico experimental, ele transita entre o silêncio do ateliê e o ruído criativo das notas percussivas sem reconhecer divisões entre as linguagens artísticas. Essa inquietude permanente é o que mantém sua obra em diálogo constante com o contemporâneo — e o que o distingue como um pensador da arte, não apenas um executor de técnicas.
Sandro Tôrres, coordenador geral de projetos da Casa Arte Plena e curador da FARGO, vai além do elogio formal ao descrever o homenageado. “O Zé é daquelas pessoas que ensinaram sem nunca precisar ocupar o centro. Ele passou décadas formando artistas que se tornaram referências, e ainda hoje continua sendo professor, não de sala de aula, mas de postura, de generosidade, de honestidade com a arte. Homenageá-lo na FARGO é, antes de tudo, um ato de justiça.”
A maior edição da história da FARGO
A homenagem a ZéCésar acontece em uma edição histórica para a feira. A FARGO 2026 dobrou de tamanho em relação ao ano anterior, reunindo 50 estandes e mais de 1.500 obras distribuídas pelo Centro Cultural Oscar Niemeyer e pelas galerias D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa. A expectativa é receber mais de 30 mil visitantes ao longo dos cinco dias de evento.
O acesso é gratuito, e a programação segue até domingo (17/5), das 14h às 21h. Para quem quer entender de onde vem a força da arte goiana — e quem ajudou a construí-la —, a resposta pode estar nesta edição da FARGO.
Serviço
- Evento: FARGO – Feira de Arte Goiás (8ª edição)
- Data: Até 17 de maio de 2026
- Horário: 14h às 21h
- Entrada gratuita
- Local: Centro Cultural Oscar Niemeyer – MAC e galerias D.J. Oliveira e Cleber Gouvêa – Goiânia (GO)
- Instagram: @fargogoias
- Programação completa: fargo.art.br

