A indústria criativa do Rio de Janeiro alcançou um novo patamar de relevância econômica. Em 2025, o setor movimentou cerca de R$ 41 bilhões, o equivalente a 8% do PIB carioca, consolidando-se como um dos principais motores de desenvolvimento da cidade.
Os dados fazem parte do estudo inédito “Mapeamento da Indústria Criativa do Rio de Janeiro”, elaborado pela Prefeitura do Rio, por meio das Secretarias Municipais de Cultura e de Desenvolvimento Econômico, além da Riotur, em parceria com a Firjan. A pesquisa foi apresentada durante o Rio2C, evento de criatividade e inovação realizado entre os dias 26 e 31 de maio, na Cidade das Artes.
Um dos maiores polos criativos do país
O levantamento posiciona o Rio como a segunda capital brasileira com maior número de empresas criativas, atrás apenas de São Paulo. Em 2023, a cidade contabilizava 5.245 empresas do setor, responsáveis por gerar quase 100 mil empregos diretos.
Esse ecossistema movimenta não apenas negócios, mas renda significativa. A massa salarial da economia criativa chegou a cerca de R$ 1,3 bilhão, o que representa 10,7% de toda a massa salarial formal do município.
Além disso, o Rio concentra 62,5% das empresas criativas do estado e 5% do total nacional. No mercado de trabalho, os empregos criativos da capital representam 7,9% do país e 74,8% do estado.
Impacto econômico e arrecadação
O peso da indústria criativa também se reflete diretamente na arrecadação pública. Entre 2020 e 2025, o Imposto Sobre Serviços (ISS) gerado pelas atividades criativas cresceu 74,3%, saltando de cerca de R$ 572 milhões para quase R$ 1 bilhão.
A criatividade é parte da identidade do carioca e também um diferencial competitivo da cidade.
A afirmação é do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, que destaca o setor como estratégico para atrair investimentos, turismo, talentos e grandes eventos. Segundo ele, a economia criativa combina inovação, cultura, tecnologia e empreendedorismo, ampliando a capacidade competitiva da cidade.
O presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano, reforça que o Rio ocupa um papel central na construção da imagem do Brasil no exterior, projetando um soft power ligado à sua diversidade cultural, patrimônio e estilo de vida.
Regiões e polos criativos em destaque
O estudo também mapeia a distribuição territorial da economia criativa na cidade. As regiões com maior concentração de trabalhadores incluem Centro, Barra da Tijuca, Zona Portuária, Botafogo e Jacarepaguá.
Já em termos de especialização no setor, destacam-se Zona Portuária, Ilha do Governador, Lagoa, Ramos e Barra da Tijuca.
Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, o avanço da Zona Portuária está diretamente ligado ao processo de revitalização da área e à consolidação do projeto Porto Maravalley, que busca transformar a região em um polo de inovação, tecnologia e empreendedorismo.
Cultura e tecnologia puxam crescimento
Entre 2022 e 2023, o segmento cultural liderou a expansão da economia criativa no Rio, com crescimento de 11,4%. Em seguida, aparece o setor de tecnologia, com alta de 7,5%.
Outro dado relevante é o número de microempreendedores individuais (MEIs) criativos: são 97.996 profissionais, representando 5,7% do total nacional e 52,7% do estado.
Para o secretário municipal de Cultura, Lucas Padilha, iniciativas como o Reviver Cultural, a Semana de Artes do Rio, novos editais de fomento e a Biblioteca dos Saberes ajudam a fortalecer o setor, ampliar o acesso à cultura e revitalizar áreas estratégicas da cidade, especialmente o Centro.
Economia criativa e transformação urbana
O estudo também destaca a conexão entre economia criativa e planejamento urbano. A formação de polos e distritos criativos tem impacto direto na reorganização da cidade, atraindo investimentos e criando novas centralidades econômicas.
Para Julia Zardo, consultora em Ambientes de Inovação da Casa Firjan e uma das responsáveis pelo mapeamento, essa relação já se materializa no Rio.
A cidade reúne densidade produtiva criativa, diversidade cultural, visibilidade internacional e projetos estruturantes capazes de reorganizar fluxos e atrair investimentos.
Ela aponta o Porto Maravilha como exemplo concreto desse movimento, onde desenvolvimento urbano e economia criativa caminham juntos para redefinir o território.
Serviço
- Estudo: Mapeamento da Indústria Criativa do Rio de Janeiro
- Divulgação: Rio2C (26 a 31 de maio)
- Local: Cidade das Artes
- Acesso ao estudo: observatorio.firjan.com.br
- Alternativa de acesso: observatorioeconomico.rio


