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Júnior Moraes: guerra, trauma e Estêvão no Top 3 do mundo

Ex-atacante do Corinthians relembra fuga da Ucrânia a -12 graus e trauma pós-guerra; e projeta Estêvão entre os melhores do mundo.

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“Fui dormir em paz e acordei em guerra”

Júnior Moraes, empresário, palestrante e ex-atacante do Corinthians, é o convidado desta semana no CNN Esportes S/A. Em conversa com o apresentador João Vitor Xavier, ele reviveu um dos períodos mais sombrios de sua vida: os dias em que a guerra na Ucrânia chegou sem aviso.

“Foi uma loucura que aconteceu em 2022, num período onde eu fui dormir em paz e acordei às 5 da manhã em guerra”, recorda. O relato vai além do choque inicial. Júnior descreve quatro dias de desespero: sem combustível, sem alimentos, estradas bloqueadas e temperatura de -12 graus. “No terceiro dia a gente já não tinha mais esperança de sair dali”, admite.

A fuga de trem que durou o dobro do previsto

A saída da Ucrânia só foi possível com apoio institucional. Segundo Júnior, o presidente da Uefa articulou, junto à Federação Ucraniana de Futebol (UAF), toda a logística da fuga. A solução foi um trem — mas nem esse trajeto foi tranquilo.

“Em um trajeto de 8 horas até a estação final, a gente fez em 16 horas, porque o número de ataques era tão grande que o trem tinha que ir parando, esperando cair os mísseis e as bombas para a gente poder continuar. A gente conseguiu passar pela Moldávia”, relata.

O trauma que chegou depois da guerra

De volta ao Brasil, Júnior acreditava que o pior havia ficado para trás. A realidade foi diferente. Sem esperar, ele foi atingido por um trauma pós-guerra — uma conta, nas palavras dele, que não estava no cálculo.

“Quando eu chego no Brasil, o que eu penso: ‘Eu vou jogar futebol e eu não corro mais risco de vida’. Só que eu não sabia que uma conta viria para mim que eu não estava esperando, que é um trauma pós-guerra. E de repente eu começo a ter pesadelos, não consigo dormir. Pesadelos onde eu vejo cair bomba no meu filho. Com a cama toda encharcada e transpirando muito e vivendo a guerra.” — Júnior Moraes

Os sintomas físicos também se manifestaram. Júnior conta que treinava com calafrios e febre, concentrava para jogar com alergias que nunca havia tido antes e via o rosto inchar sem explicação aparente. “Esse processo demorou mais de um ano para a gente entender realmente o que eu tava vivendo”, revela.

Estêvão no Top 3 do mundo? Júnior garante

A entrevista também abriu espaço para o futebol do presente. Júnior falou sobre Estêvão William, jovem atacante do Chelsea na Premier League, e confessou que tinha dúvidas sobre como um garoto de 18 anos reagiria à pressão do futebol inglês. A resposta do jogador o surpreendeu.

“Ele se preparou mentalmente, então realmente ele merece todo o destaque”, avalia. E vai além: “Eu te afirmo, sem sombra de dúvidas, que o Estêvão tem muito potencial para ser Top 3 do mundo. Pela personalidade que ele tem, pelo talento que ele tem, se ele entrar nessa esteira de resultado positivo, com certeza a gente vai ver ele lutando pela Bola de Ouro“, afirma.


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Júnior Moraes: guerra, trauma e Estêvão no Top 3 do mundo
Foto: Getty Images
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