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Toyota vence Le Mans por 10 segundos e leva WEC embalado a Interlagos

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A 24 Horas de Le Mans 2026 terminou com cara de clássico instantâneo. Depois de um fim de semana de disputa intensa em La Sarthe, a Toyota voltou ao lugar mais alto do pódio pela primeira vez em quatro anos ao vencer a 94ª edição da prova com o GR010 Hybrid #7, em uma chegada definida por apenas 10,913 segundos sobre a BMW. O desfecho, diante de um público recorde de 350.105 torcedores, entrou para a história como a menor diferença entre os dois primeiros colocados já registrada no Campeonato Mundial de Endurance.

O resultado não representou apenas o sexto triunfo da fabricante japonesa em Le Mans. A vitória também recolocou a Toyota no topo dos mundiais de Construtores e de Pilotos do FIA WEC, em uma temporada que agora se desloca para o Brasil com a realização da Rolex 6 Horas de São Paulo, entre 10 e 12 de julho, no Autódromo de Interlagos.

Toyota volta ao topo em La Sarthe

A construção da vitória começou cedo, ainda na primeira meia hora da corrida. Largando apenas da 14ª e da 15ª posições no grid da Hypercar, a Toyota apostou em uma estratégia agressiva para colocar seus carros em pista limpa. A escolha lembrou o roteiro adotado pela BMW em Spa-Francorchamps, no mês passado, e recolocou rapidamente a equipe entre os protagonistas da prova.

Durante boa parte da disputa, o carro que parecia ter o cenário mais favorável era o Toyota GR010 Hybrid #8. Brendon Hartley, Ryo Hirakawa e Sébastien Buemi fizeram uma atuação consistente e veloz, superando o Cadillac #12 e a BMW #20 para se posicionar como forte candidato à vitória. A corrida, no entanto, ainda reservava uma reviravolta decisiva.

Na manhã de domingo, o segundo período de Safety Car mudou o desenho da prova. A neutralização foi provocada pela necessidade de reparar as barreiras de proteção depois de uma forte batida de Ayhancan Güven, com o Porsche da Manthey DK Engineering na LMGT3. Foi nesse momento que o Toyota #7 voltou de vez à disputa. Até ali, o carro de Mike Conway, Kamui Kobayashi e Nyck de Vries já havia passado por um furo lento de pneu no início da quarta hora e também por um problema no sensor do eixo de transmissão, fatores que o fizeram perder terreno.

Uma corrida decidida nos detalhes

A partir da relargada, a prova ganhou um nível ainda mais alto de tensão. Os dois Toyotas, o Cadillac #12 e a BMW #20 passaram a disputar diretamente a liderança, em um confronto que seguiu aberto até a bandeirada. No trecho final, a velocidade de Kobayashi, as ultrapassagens de Nyck de Vries e o momento de um Full Course Yellow no fim ajudaram a consolidar a arrancada do #7.

Uma das manobras mais marcantes da reta final veio justamente com de Vries, em uma ultrapassagem ousada sobre Norman Nato na curva Mulsanne. Quando Kobayashi recebeu o carro para fechar a corrida, a Toyota já havia transformado uma recuperação improvável em uma chance real de vitória. O japonês sustentou a pressão e cruzou a linha em primeiro para selar a 51ª vitória da marca no FIA WEC em sua 102ª largada, restabelecendo a marca de 50% de aproveitamento da fabricante no campeonato.

“É difícil expressar em palavras”, refletiu Conway. “Vencer aqui é sempre incrível porque é uma corrida muito dura, e nossos adversários também estavam fortíssimos. Houve momentos em que todos os concorrentes pareciam rápidos. Acho que até as últimas duas ou três horas, ninguém sabia ao certo o que ia acontecer.”

Conway ainda descreveu o nervosismo do fim da prova. “O Robin [Frijns] deixou tudo muito tenso nos últimos 30 minutos, e acho que o Nyck [de Vries] passou a última hora de olhos fechados, se escondendo. Eu fiquei andando de um lado para o outro na sala dos pilotos e fui ao banheiro umas 15 vezes nos últimos 30 minutos! Mas nós conseguimos, cumprimos o papel e estamos aqui. Foi um esforço incrível, então o mérito é de todos os envolvidos”.

BMW volta ao pódio e Cadillac vê chance escapar

Se a Toyota saiu com a vitória, a BMW também deixou Le Mans com um resultado simbólico. O carro #20, pilotado por Robin Frijns, René Rast e Sheldon van der Linde, terminou em segundo lugar depois de liderar o início da corrida graças a um stint inicial agressivo do sul-africano. A equipe não teve ritmo suficiente para responder ao ataque final da Toyota, mas garantiu para a marca bávara seu primeiro pódio na classificação geral em La Sarthe desde a vitória de 1999.

O pódio geral foi completado pelo Toyota #8, que acabou superado no momento decisivo, mas ainda assim confirmou a força da equipe ao colocar seus dois carros entre os três primeiros. Logo atrás terminou o Cadillac V-Series.R #12, de Norman Nato, Will Stevens e Louis Delétraz. O trio ficou com a sensação de oportunidade perdida depois de sofrer uma punição de drive-through por infração em uma Slow Zone na manhã de domingo e ainda precisar fazer dois pit-stops de emergência, fatores que tiraram da marca a possibilidade de brigar por uma vitória inédita em Le Mans.

O outro Cadillac, o #38, também esteve firmemente na disputa até a metade da prova. Com Sébastien Bourdais, Jack Aitken e Earl Bamber, o carro perdeu sete voltas por causa de um problema na direção hidráulica e mais tarde abandonou. A sequência de acontecimentos reforçou o nível de competitividade da edição de 2026, marcada por diferentes fabricantes em condição real de vencer.

Corvette cresce na LMGT3 e vence após largar em 17º

A LMGT3 também entregou uma disputa apertada entre diferentes montadoras, e a vitória ficou com a Corvette. A TF Sport levou o Corvette #33 ao topo depois de largar apenas da 17ª posição entre os 25 carros do grid, em uma corrida construída com estratégia, regularidade e ausência total de erros. Foi o décimo triunfo da fabricante norte-americana na história das 24 Horas de Le Mans.

A aposta da equipe britânica foi semelhante à da Toyota na classe principal. O time colocou o piloto Bronze Ben Keating para cumprir boa parte dos stints iniciais e, mesmo em sua primeira participação no FIA WEC em 2026 após se recuperar de uma lesão no cotovelo, o texano respondeu com uma atuação segura e limpa. O Corvette permaneceu no jogo até o momento em que Keating cumpriu o tempo mínimo obrigatório de pilotagem.

Depois disso, Nicky Catsburg e Jonny Edgar assumiram o comando da corrida. A dupla levou o #33 à liderança e não devolveu mais a posição até a bandeira quadriculada, confirmando uma vitória construída de trás para frente, com leitura precisa da prova e execução sem falhas.

“É algo muito especial”, afirmou Keating, agora tricampeão das 24 Horas de Le Mans. “Desenvolvemos um plano de corrida e executamos tudo perfeitamente. Tivemos uma prova impecável, sem punições e sem erros, exatamente o que é necessário para ter sucesso em Le Mans. O Jonny foi inacreditável nos cinco stints finais. Talvez tenha sido a pilotagem da corrida. Acredito que este resultado será um marco na carreira dele.”

A segunda posição ficou com o Lexus #78 da Akkodis ASP Team. Hadrien David e Tom Van Rompuy contaram com o reforço de Jack Hawksworth, descrito pela equipe como um “super-substituto”, e o trio entregou uma prova veloz e sem falhas. David e Hawksworth registraram as duas voltas mais rápidas da LMGT3, e o resultado marcou o melhor desempenho do Lexus #78 na história do FIA WEC.

O Aston Martin Vantage #23 da Heart of Racing Team, conduzido pelo brasileiro Eduardo Barrichello ao lado de Jonny Adam e Gray Newell, completou o pódio em terceiro. A equipe, porém, também viu escapar um resultado ainda maior, já que o Aston Martin #27, que havia conquistado a pole position, abandonou a corrida com problemas no câmbio quando ocupava uma posição entre os três primeiros.

Brasileiros aparecem no pódio e Interlagos entra no foco

Le Mans reuniu sete brasileiros no grid, e o melhor resultado veio justamente com Dudu Barrichello, terceiro colocado na LMGT3 com a Heart of Racing. O pódio do Aston Martin #23 colocou o brasileiro entre os destaques nacionais de uma edição especialmente competitiva da prova.

Na Hypercar, Pipo Derani, da Genesis Magma Racing, abandonou a corrida com o Genesis número 17 quando restavam cerca de seis horas para o fim. Na LMGT3, Augusto Farfus, da Team WRT, terminou em sétimo, Daniel Serra, da Kessel Racing, cruzou a linha em décimo, e Custódio Toledo terminou em 8º lugar pela AF Corse. Na LMP2, Daniel Schneider foi o 15º com a United Autosports, enquanto Pietro Fittipaldi ficou em quarto com a Vector Sport.

Com a corrida francesa encerrada, o campeonato avança para a quarta etapa da temporada 2026. A Rolex 6 Horas de São Paulo será disputada entre 10 e 12 de julho, no Autódromo de Interlagos, e passa a concentrar a atenção do paddock depois de uma das corridas mais disputadas dos últimos anos no endurance mundial.

Próxima parada do FIA WEC

A etapa brasileira recebe 14 montadoras e mais de 30 carros no grid. Além da disputa esportiva, o evento é apresentado como um encontro entre alta performance, inovação e grandes nomes das pistas, em um ambiente que também se conecta ao entretenimento e à cultura. O retorno do FIA WEC a Interlagos amplia o peso da corrida no calendário de 2026 e reforça o Brasil como uma das paradas centrais da temporada.

O Campeonato Mundial de Endurance reúne provas de longa duração entre 6 e 24 horas e é disputado em oito etapas na América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia e Oriente Médio. Para as fabricantes, o campeonato tem relevância direta em áreas como tecnologia híbrida, desempenho, segurança e desenvolvimento de carros de produção. Depois do impacto esportivo e simbólico de Le Mans, São Paulo recebe uma etapa cercada por expectativa técnica e esportiva.

Calendário 2026 do FIA WEC


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