O Desfile Mauricio 90 transformou o Sambódromo do Anhembi em um palco de celebração coletiva que reuniu cerca de 30 mil pessoas neste domingo (28). Em uma homenagem inédita e gratuita, a trajetória de Mauricio de Sousa ganhou vida diante de fãs de diferentes gerações, em um espetáculo que uniu memória, emoção e identidade cultural.
A passarela do samba, tradicionalmente ocupada pelos desfiles de Carnaval, foi tomada por personagens, alegorias e histórias que marcaram o imaginário brasileiro por mais de seis décadas. Ao final, o público deixou as arquibancadas e invadiu a avenida, transformando o encerramento em uma grande celebração coletiva.
Uma narrativa que atravessa gerações
Com mais de 800 profissionais envolvidos, entre bailarinos, performers e intérpretes dos personagens, o desfile foi estruturado em cinco momentos que conduziram o público por diferentes fases da vida e da obra do cartunista.
A abertura, com o carro “Eu tive uma ideia”, apresentou o início da trajetória de Mauricio. A narrativa destacou o menino que saiu de Mogi das Cruzes para tentar a vida em São Paulo, passando pelos anos como repórter policial e pelos desafios enfrentados até alcançar reconhecimento nacional.
Na sequência, alas temáticas exploraram memórias de infância, incluindo a relação com a avó, além de momentos decisivos da carreira, representados pelos “sins” e “nãos” que moldaram seu caminho. O processo criativo também ganhou destaque, com artistas encenando desenhos que literalmente ganhavam vida na avenida.
Personagens ganham escala monumental
Um dos pontos altos do desfile foi o carro dedicado à Turma da Mônica. Com quatro pavimentos, árvores giratórias, páginas gigantes de gibi em movimento e um enorme Sansão, a alegoria arrancou aplausos do público.
Mônica, Cebolinha, Milena, Cascão, Magali e outros personagens do Bairro do Limoeiro interagiam diretamente com os espectadores, reforçando o vínculo afetivo construído ao longo de décadas.
Outro carro, com estética futurista, apresentou as diferentes versões da obra, incluindo Mônica Toy e Turma da Mônica Jovem. O elenco da série live-action “Turma da Mônica – Origens” também participou da apresentação, ampliando a conexão com novas gerações.
O momento mais emocionante da avenida
O encerramento foi conduzido por um carro alegórico dedicado aos 90 anos de Mauricio de Sousa. Vestido de branco e posicionado diante de um trono, o artista percorreu a avenida ao lado da esposa Alice Takeda, dos filhos, netos e bisnetos.
A alegoria revisitava sua trajetória, com imagens que iam dos primeiros esboços da Mônica até registros do cartunista trabalhando em seu estúdio. Sob aplausos intensos, Mauricio acenava para o público, que respondia em coro com seu nome.
Quando o carro avançou, uma explosão de fitilhos coloridos tomou o Sambódromo e marcou o ápice emocional do evento. Em seguida, o público foi convidado a descer das arquibancadas e acompanhar a última alegoria. Em poucos minutos, a avenida se transformou em um único bloco de pessoas celebrando juntas.
Família destaca impacto e legado
A dimensão simbólica do evento foi destacada por familiares do cartunista. Para Mauro Sousa, filho de Mauricio, o desfile representou um retorno afetivo do público ao artista.
“Meu pai passou a vida desenhando o Brasil e hoje o Brasil, em especial São Paulo, veio desenhá-lo de volta. Ver 30 mil pessoas de todas as idades descendo das arquibancadas para estar mais perto dele é a prova de que esses personagens pertencem ao povo”.
Marina Sousa, filha do cartunista, destacou o impacto visual e emocional da homenagem, ressaltando como os desenhos ganharam uma nova dimensão ao ocupar a avenida.
“Crescemos vendo esses traços nascerem na prancheta do meu pai e hoje eles ganharam a avenida, em cores e em tamanho que nenhuma página comporta. Foi emocionante ver o público olhando para tudo aquilo e perpetuando um encantamento que atravessa gerações”.
Já Marcos Saraiva, neto de Mauricio e presidente do Instituto Mauricio de Sousa, apontou o olhar para o futuro como elemento central da celebração.
“A maior homenagem aos 90 anos do meu avô é garantir que a obra dele continue encontrando novas crianças, novas telas e novas histórias. O desfile mostrou, em escala, que esse universo segue em movimento”.
Reconhecimento cultural e expansão pela cidade
A celebração ocorre em um momento simbólico: a obra de Mauricio de Sousa foi reconhecida como patrimônio cultural imaterial de São Paulo. O marco posiciona seus personagens entre as expressões que ajudam a definir a identidade da cidade.
Além do desfile, a homenagem se expandiu por diferentes pontos da capital. Um banco permanente de bronze foi instalado na Avenida Paulista, enquanto três infláveis gigantes ocuparam locais históricos. Ao todo, 91 esculturas foram espalhadas pela cidade, levando o universo do artista para o cotidiano do público.
A proposta amplia a presença da obra para além das páginas e telas, criando um diálogo direto com o espaço urbano e reforçando a conexão entre cultura popular e vida cotidiana.
O papel do Instituto Mauricio de Sousa
Responsável por parte das iniciativas, o Instituto Mauricio de Sousa atua há quase 30 anos em projetos voltados à educação, cultura e inclusão social. Criado em 1997, o instituto nasceu do compromisso do cartunista com o incentivo à leitura.
Com foco na primeira infância e nos anos iniciais do ensino fundamental, a organização desenvolve ações que ampliam o acesso a livros e revistas em quadrinhos, utilizando personagens como Turma da Mônica, Chico Bento e Horácio como ferramentas de aprendizagem.
Ao longo de sua trajetória, o instituto estabeleceu parcerias com entidades como UNESCO, Sociedade Brasileira de Pediatria, Fundação Dorina Nowill para Cegos, Amigos do Bem e Instituto Faber-Castell, impactando milhões de pessoas em todo o Brasil.
Serviço
- Evento: Desfile Mauricio 90
- Data: 28 de junho de 2026
- Local: Sambódromo do Anhembi
- Público: Cerca de 30 mil pessoas
- Formato: Evento gratuito
