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Aparelhagem Crocodilo é a primeira atração do BATEKOO Festival 2026

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Uma das aparelhagens mais tradicionais do Pará vai pisar pela segunda vez em São Paulo: a Aparelhagem Crocodilo é a primeira atração confirmada do BATEKOO Festival 2026.

O anúncio marca a estreia da programação da nova edição do festival, prevista para o dia 14 de novembro, em São Paulo. O evento se consolidou como um dos maiores encontros de música, cultura e comunidade negra da América Latina, reunindo artistas e público em uma programação dedicada às múltiplas expressões da cultura negra contemporânea.

Uma tecnologia sonora que nasceu na periferia amazônica

Reconhecida como uma das mais tradicionais e emblemáticas aparelhagens do Pará, a Aparelhagem Crocodilo leva ao festival a força de uma manifestação cultural que, há décadas, ocupa lugar central nas festas populares da Amazônia. As aparelhagens constituem um movimento marcado pela potência sonora, pelas estruturas monumentais de luz e tecnologia e pela construção de experiências coletivas nas pistas de dança.

“Trazer o Crocodilo para São Paulo é um desejo antigo da BATEKOO. A aparelhagem é uma das tecnologias brasileiras mais autênticas que temos, mas que ainda não está presente nas curadorias dos grandes festivais de música”

A fala é de Artur Santoro, sócio e curador do festival. Ele lembra que, salvo a Virada Cultural do ano passado, esta é a primeira vez que um festival leva o Crocodilo a São Paulo — e apenas a segunda apresentação da aparelhagem na cidade. “A curadoria da BATEKOO sempre busca apresentar ao nosso público um panorama dos diferentes ritmos e musicalidades que estão sendo produzidos no Brasil por pessoas racializadas”, completa.

Um gesto que Mauricio Sacramento chama de político

Para Mauricio Sacramento, CEO, diretor criativo e curador do festival, anunciar o Crocodilo como a primeira atração de 2026 é um “gesto simbólico e político”. “Estamos trazendo uma das maiores aparelhagens do Pará para uma das primeiras apresentações em um festival fora do estado, reconhecendo a grandiosidade de um movimento cultural que nasceu na periferia amazônica e influencia gerações”, afirma.

Segundo Sacramento, o objetivo é aproximar diferentes expressões que constroem a música brasileira. “Queremos que o público viva essa experiência de perto e conheça uma manifestação que faz parte da história cultural do país. O BATEKOO Festival existe para criar esses encontros”, diz.

Dos bailes do Jurunas às grandes curadorias do país

Fundada na década de 1980, a Aparelhagem Crocodilo consolidou sua trajetória reunindo inovação tecnológica e valorização da cultura paraense. Depois de uma nova fase iniciada em 2014, voltou a crescer a partir dos bailes realizados no bairro do Jurunas, em Belém, conquistando públicos em todo o Pará e expandindo sua atuação para outros estados da região Norte.

Hoje, é uma das principais referências do universo das aparelhagens, realizando dezenas de apresentações por ano e reunindo uma equipe formada por DJs, técnicos e produtores responsáveis por um espetáculo que combina música, iluminação e efeitos visuais.

A presença do Crocodilo no BATEKOO Festival está em sintonia com a proposta do evento de aproximar diferentes territórios, linguagens e sonoridades que compõem a produção cultural negra no Brasil. Ao reunir uma das maiores referências da cultura popular paraense, o festival amplia o diálogo entre cenas musicais e evidencia a potência criativa que emerge de diferentes regiões do país.

O que a chegada da aparelhagem representa para o Norte

“Como frequentadora da BATEKOO, fico muito feliz em ver o festival dar esse passo. A representatividade sempre fez parte da sua história e, agora, esse compromisso ganha ainda mais força ao incluir uma aparelhagem na programação”, comenta Ane Oliveira, produtora cultural e articuladora da cena musical amazônica.

Para ela, o encontro tem significado especial por aproximar a cultura amazônica, negra e periférica do Norte de um dos principais festivais que carregam essa bandeira. “É uma iniciativa que conecta territórios, abre espaço para que mais pessoas conheçam essa manifestação cultural e inspira outros festivais a seguirem esse exemplo”, diz.


Uma década de pista como espaço de encontro

Criada em 2014, em Salvador, a BATEKOO nasceu como uma festa e se transformou em uma das plataformas culturais mais influentes da cultura negra contemporânea no Brasil. Ao longo da última década, consolidou uma atuação que articula música, comportamento, moda, comunicação e política, tendo a pista de dança como espaço de encontro, celebração e construção coletiva.

Com uma programação que vai além dos shows, o BATEKOO Festival reúne apresentações artísticas e experiências que valorizam diferentes expressões da cultura negra contemporânea, fortalecendo conexões entre artistas, criadores e público. A curadoria é reconhecida por reunir nomes que representam diferentes movimentos da música brasileira e da diáspora, promovendo encontros entre artistas consagrados e novas vozes da cena.

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