O Pena de Pavão de Krishna transforma sua própria história em espetáculo e leva ao palco “Aguaceiro”, uma montagem inédita que celebra os 13 anos do coletivo e sua atuação no Carnaval de Belo Horizonte. A apresentação acontece no dia 18 de junho, às 20h, no Teatro Feluma, reunindo música, teatro e projeções audiovisuais para contar a trajetória de um dos blocos mais marcantes da capital mineira.
Mais do que uma retrospectiva, o espetáculo propõe uma experiência sensorial e política. A narrativa atravessa temas que sempre acompanharam o grupo, como espiritualidade, meio ambiente, diversidade e transformação social, refletindo a forma como o bloco se consolidou como agente cultural ativo para além da folia.
Uma história que nasce com o novo Carnaval de BH
Criado em 2013, quando o Carnaval de Belo Horizonte começava a ganhar força e ocupar as ruas com novos formatos de celebração, o Pena de Pavão de Krishna surgiu de maneira espontânea. A proposta inicial era simples: reunir amigos em torno do ijexá, dos afoxés e de canções conectadas à espiritualidade e à celebração da vida.
Com o passar dos anos, o que era um encontro despretensioso se transformou em um dos blocos mais singulares da cidade. A força coletiva, segundo Flora Rajão, cofundadora ao lado de Rafa Gonzo, sempre foi o motor do projeto.
“Eu acho que (essa história) mostra o tanto que o Carnaval é um organismo vivo. A energia de um bloco também faz parte dessa força coletiva que nasce. Nós somos instrumentos de uma ideia maior que quer ser manifestada”.
“Aguaceiro” como metáfora e narrativa
No espetáculo, a água surge como elemento central e simbólico. É a partir dela que a história do coletivo é contada, conectando o nascimento do bloco, os desafios enfrentados ao longo dos anos e as bandeiras que foram incorporadas à sua trajetória.
Entre essas pautas estão o combate ao racismo, a luta contra a intolerância religiosa, o feminismo, a saúde mental e os direitos da população LGBTQIA+. A proposta não é apenas revisitar o passado, mas reforçar o papel do bloco como agente de transformação social.
Para Flora Rajão, o espetáculo também cumpre uma função de atualização interna e coletiva.
“O espetáculo ajuda a relembrar os porquês, de onde tudo começou, e também fortalece a narrativa do grupo. É como renovar os votos e atualizar quem está chegando sobre de onde viemos e para onde queremos ir”.
Música autoral e encontro de linguagens
A identidade sonora do Pena de Pavão de Krishna é um dos pilares de “Aguaceiro”. O repertório majoritariamente autoral reúne tambores, sopros, cordas e cantos que dialogam com tradições afro-brasileiras e indianas, criando uma atmosfera que mistura ritual, festa e reflexão.
No palco, a banda principal é formada por Leopoldina (voz), Mãnu (voz e clarineta), Gustavito (baixo, violão e voz), Raphael Sales (baixo, violão e voz), Túlio Nobre (percussão) e Lola Lessa (performance), com Pedro Alves Pedroka na bateria.
O espetáculo ainda conta com participações de Sérgio Pererê, Laura Catarina e Marcelo Veronez, além de convidados especiais como o Congado da Urca Pampulha, Iskcon BH, Maimbê (violino), Aline Starling (cello) e Rafael Gonçalves, o Gonzo, idealizador do bloco.
Entre o sagrado e o encontro coletivo
Um dos pontos centrais da trajetória do Pena de Pavão é justamente a capacidade de aproximar universos que tradicionalmente são vistos como opostos. O grupo construiu uma linguagem própria ao integrar espiritualidade e celebração popular, rompendo fronteiras entre o sagrado e o profano.
Essa perspectiva aparece de forma clara no espetáculo, que entende a festa como um espaço legítimo de transformação.
“Muitas vezes existe uma separação entre o sagrado e o profano. E o que o Pena mostra é que celebrar a vida também é sagrado. A festa, a música e o encontro das pessoas podem ser instrumentos de transformação”.
Produção e construção coletiva
“Aguaceiro” é realizado com recursos do Fundo Municipal de Cultura, por meio do Edital LMIC 2024 – Multilinguagens. A montagem reúne uma equipe diversa que reflete o caráter coletivo do projeto.
A coordenação de produção é de Túlio Nobre, com roteiro e produção executiva de Andreza Coutinho. A comunicação e produção executiva ficam a cargo da Namarra Cultural, enquanto a produção artística é assinada por Gustavito.
As projeções, vídeos e texto são de Rafael Fares, com direção de Marcelo Veronez. A direção de arte é de Maíra, a cenografia de Salvio e os figurinos levam assinatura de Anderson e Lola Lesa. A iluminação é de Akner Gustavson.
Serviço
- Espetáculo: “Aguaceiro” – Pena de Pavão de Krishna
- Data: 18 de junho de 2026 (quinta-feira)
- Horário: 20h
- Local: Teatro Feluma (Alameda Ezequiel Dias, 275, Centro), em Belo Horizonte (MG)
- Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
- Venda: Sympla
- https://bileto.sympla.com.br/event/121925/d/391362/s/2584853
- Projeto aprovado no Edital LMIC 2024 – Multilinguagens – Fundo Municipal de Cultura (Projeto nº 0505/2024)

